Até quando durará a rabugice…

DeskNo espírito das habituais resoluções para o novo ano, decidi voltar a colocar as minhas meditações e vivências do dia-a-dia no papel, virtual porque os antigos diários pertencem ao passado e pegar numa caneta ou lápis e escrevinhar numa folha até já parece estranho. A iniciativa não é nova pois, sendo jornalista de profissão, escrever é-me intuitivo. Para trás ficaram os tempos da BIBLIOTECA DOS PENSAMENTOS, que se ficou por uma página do Facebook por ser mais fácil para uma primeira experiência, mas que superou as minhas expetativas. Descoberta a facilidade que, afinal, é criar um blogue a sério, aventurei-me com o PENSADOR INDISCRETO, mas a falta de tempo ditou que não passasse do primeiro capítulo. Mais sorte tem tido o meu blogue ALGARVE INFORMATIVO, este de carater noticioso, daí, em jeito de desafio para 2015, embarcar em nova aventura, desta feita com O CARNEIRO RABUGENTO.
Sobre o Carneiro não há nada a explicar, é o meu signo, com todas as qualidades e defeitos que vêm incluídos no pacote, apesar de não acreditar muito nessas coisas da astrologia. Quanto ao Rabugento, parece que se tornou o meu estado de espírito predominante durante o ano que agora finda, porque, realmente, não tenho feitio para estar desempregado. Só que a alternativa de continuar a trabalhar para um patrão sem grande apetência para pagar aos empregados não era muito aliciante, pelo que, quase a entrar na classe dos quarentões, me vi de repente sem sustento, ao fim de 15 anos a trabalhar quase como um escravo para um projeto jornalístico.
Não é de admirar que a rabugice não demorasse a instalar-se. Aqueles que, durante anos a fio, não me largavam a tentar sacar uma entrevista ou uma simples fotografia, não foram de grande ajuda. Não que andasse à procura de um tacho, também não tenho feitio para isso, mas a sobejamente conhecida crise foi uma desculpa fácil para desejarem boa sorte e virarem costas. Infelizmente, nada que me tenha surpreendido, porque a memória das pessoas tende a ser curta quando já não têm nada a ganhar dos outros.
A escassez de ofertas de trabalho para jornalistas também não me surpreendeu, porque os jornais e revistas de papel impresso têm os dias contados e, para a chamada imprensa online, basta um profissional ou dois nas redações para tratar as notas de imprensa que vão chegando dos organismos públicos e para dar uma nova roupagem aos artigos retirados dos títulos internacionais, que estão ali mesmo à distância de um simples cortar e colar num editor de texto. Depois, junta-se uma ou outra entrevista ou reportagem à moda antiga, feitas pelos tais um ou dois profissionais, e está a edição diária ou semanal composta. E para o trabalho rotineiro de colocar os gravadores à frente das personalidades e tirar umas quantas fotografias em conferências de imprensa e inaugurações de estradas e equipamentos existe o filão dos recém-licenciados oriundos dos Centros de Empregos para estágios profissionais que nunca se tornam em contratos efetivos. Mas os miúdos, ingénuos, lá vão na conversa dos sacrifícios que são necessários para vestir a camisola da empresa e abdicam de vida própria durante uns meses, enquanto não chega a próxima fornada de estagiários e é desfeita a ilusão.
Claro que este cenário é praticamente incomportável para quem tem duas filhas pequenas em casa e, diga-se em abono da verdade, os patrões também não estão interessados em contratar jornalistas experientes e de créditos reconhecidos, porque têm que lhes pagar mais do que o ordenado mínimo e, ainda por cima, sem quaisquer benesses da Segurança Social. Aliás, desejosos estão eles de se verem livres de grande parte dos jornalistas com que foram engordando as redações, sejam jornais e revistas de província ou pertencentes a grandes grupos de media, como se assistiu no decorrer dos últimos anos.
E assim vai crescendo a rabugice deste carneiro à beira dos 40, desempregado no papel mas sem um minuto livre que se lhe diga, porque ser pai a tempo inteiro e manter um blogue noticioso minimamente atualizado dá uma carga de trabalho. Mas isso fica para o próximo capítulo, se houver, claro. É que a outra resolução de ano novo, a de cortar com os doces, começou à hora do almoço e só durou até ao lanche. Não que eu seja exageradamente guloso ou coisa parecida, nada disso, é que o meu organismo tende a ir abaixo se não tiver a sua dose diária de açúcar amarelo e chocolate preto…

Daniel Pina

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

w

Connecting to %s