Quando o verde deixou de ser saudável…

armacao de peraEu sou daqueles homens de barba rija e pelos no peito que continuam a ser fiéis ao seu barbeiro ou cabeleireira, tirando uma ou outra traiçãozita justificada por falta de tempo para percorrer umas quilómetros extra na EN 125. Assim, como a esposa e a sogra iam sair para darem umas vacinas quaisquer às miúdas e comprarem sapatos, escapei-me à passeata das mulheres e rumei a Armação de Pera para a necessária tosquia.
Ora, como há quase 15 anos que corto o cabelo sempre da mesma maneira, despachei-me num instante e decidi aproveitar o sol para escrevinhar junto à praia, à laia de turista a gozar um fim de semana prolongado em terras algarvias. Com o café ao lado e a vista maravilhosa pela frente, esqueci-me por momentos da minha famigerada rabugice, cujo alvo mais recente é esta treta inventada pelo governo de Pedro Passos Coelho dos impostos verdes. Não que tenha algo contra o meio ambiente, antes pelo contrário, mas, como me disse logo pela manhã a minha estimada colega de profissão Elisabete Rodrigues, “quando a fiscalidade verde significa aumento do preço dos combustíveis e que os sacos de plástico passam a ser todos pagos a peso de ouro, está tudo dito”.
Mais entendida da matéria do que eu, a co-mentora do SUL INFORMAÇÃO frisou que “uma verdadeira política energética e verde passa por investir, por exemplo, em transportes energeticamente eficientes, como o comboio, o que é uma miragem em Portugal” e que “também não é diminuindo os incentivos à cogeração de energias renováveis, até a nível doméstico, que se promove uma verdadeira política energética e verde neste país”. Totalmente de acordo, cara Elisabete. Esta fiscalidade verde não passa, na prática, de mais uma forma dos políticos nos irem todos os dias ao bolso de forma airosa, com a pretensa desculpa de que, com o dinheiro angariado dessa forma, se vai poder aliviar a carga fiscal dos portugueses.
Também não percebo o motivo de se criar um período de adaptação até dia 15 de Fevereiro somente para a questão dos sacos de plástico. É que, a mim, custa-me mais a adaptar-me aos novos impostos sobre os combustíveis do que propriamente a ter que levar um saco de casa sempre que vou às compras. Mas como o Zé Povinho tem menos influência do que a grande distribuição, lá se lixa outra vez o mexilhão, ao contrário do que teima em dizer o nosso primeiro ministro. E se queriam ganhar dinheiro à conta do «verde», podiam esforçar-se a sério em recuperar os milhões de euros que os administradores de um banco de cor «verde» andaram a meter ao bolso ao longo dos últimos anos. Ou a confiscar os milhões de euros que foram parar às contas bancárias de um ex-governante de um partido político com o «verde» na bandeira, sem ele saber muito bem de que maneira, porque parece que tem má memória para números. Ou então podiam tentar receber os impostos que uma cadeia de supermercados com o «verde» no logotipo teima em pagar no estrangeiro. É que, com a crise que está instalada lá para os lados de Alvalade, por esta altura não devem haver muitos portugueses com motivos para estarem satisfeitos com o «verde»…

Daniel Pina

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