Muito gostam os sindicatos portugueses de marcar greves…

No meu périplo habitual pela imprensa nacional e internacional, dei de caras logo pela manhã com um título bastante faustoso no «USA Today» e que dizia “Pilotos da TAP Air Portugal ameaçam com greve de 10 dias”, como forma de protesto dos sindicatos às tentativas do governo em privatizar, de toda a maneira e feitio, a principal companhia aérea portuguesa. A notícia dava ainda destaque a outra greve, desta feita na CP – Comboios de Portugal, mais uma vez pelos mesmos motivos, para tentar evitar que o Governo privatize a companhia ferroviária. E assim se ofuscou num ápice a lição de futebol que o Porto deu ao colosso mundial Bayern de Munique.

Confesso que a vitória do Porto me apanhou de surpresa, e ainda bem que assim aconteceu porque, apesar de ser sportinguista, primeiro que tudo sou Português. Já as greves, infelizmente, tornaram-se uma rotina do nosso dia-a-dia e a única pergunta que se coloca ao Zé Povinho, cada vez que se levanta da cama, é o que estará a funcionar naquele dia neste belo jardim à beira-mar plantado. Aliás, em tom de brincadeira, e se calhar isso até já existe, qualquer dia inventam uma aplicação de telemóvel com um calendário próprio para as greves que acontecem em Portugal, tudo explicadinho com os setores e localidades afetados.

O problema é que já toda a gente mais ou menos percebeu que as greves não servem para nada, apesar de serem um direito fundamental dos trabalhadores, porque os nossos governantes têm as suas metas perfeitamente definidas e a sua agenda bem delineada. Deste modo, afrouxam um pouco as medidas de austeridade quando o PS sobe demasiado nas intenções de voto e voltam a apertar o cinto aos portugueses quando os credores internacionais expressam sinais de preocupação quanto à capacidade de Portugal para cumprir com as suas obrigações. Assim se verificou com o aumento do salário mínimo nacional e os ajustes no IRS que, supostamente, vão beneficiar as famílias mais numerosas já em 2015, porque é ano de eleições. E assim se verificou, por exemplo, com o anúncio de que os cortes nos salários da função pública afinal são para manter, pelo menos até 2018.

E como o Governo continua teimoso e casmurro na sua maneira de gerir o país, os sindicatos convocam greves e mais greves, umas coincidindo curiosamente às sextas-feiras para presentear os seus associados com fins-de-semana prolongados, outras marcadas para períodos cruciais para o desempenho da economia nacional, nomeadamente do setor do turismo, não compreendendo que vão causar milhões de euros de prejuízo aos empresários, muitos deles também seus associados, e que não produzem nenhuns efeitos práticos para a sua luta, pois o Governo já decidiu bem decidido o que vai ou não privatizar, estando apenas à espera das propostas mais interessantes para vender o pouco que Portugal ainda tem de seu. E os próprios trabalhadores chegam a uma altura em que já nem sabem por que razão estão a fazer greve.

Faz-me lembrar os meus tempos de aluno do Liceu Camões, em Lisboa, onde o 24 de Março era uma data especial para todos os meus colegas, não por ser o meu aniversário, mas por ser o Dia do Estudante, o que significava greve e manifestações em frente ao Ministério da Educação ou da Assembleia da República. Ninguém sabia muito bem os motivos da contestação, umas vezes as Provas de Aferição, outras a famigerada Prova Geral de Acesso, na maioria das vezes nada de importante, o que interessava era ter um dia de folga. Infelizmente, volvidos tantos anos, parece que as greves só servem para isso mesmo, para conceder um dia de descanso extra aos trabalhadores, porque os governantes fazem ouvidos moucos aos gritos de protesto…

Daniel Pina

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