Jon Snow e a Guerra dos Cartazes

jon snowJá terminou há algumas semanas a mais recente temporada da Guerra dos Tronos, história inspirada na épica aventura de George R. R. Martin, e meio mundo continua a interrogar-se se Jon Snow terá mesmo morrido. Aliás, até o presidente norte-americano Barack Obama terá perguntado aos produtores da série se haverá algum volte-face na história que traga o herói para a próxima temporada mas, pelos vistos, teremos mesmo que esperar pelo início de 2016 para tirarmos as dúvidas.

Entretanto, como Portugal não gosta de ficar atrás dos outros, mesmo que, às vezes, dê o passo maior que a perna, também temos a nossa própria guerra. Nada de produções hollywoodescas porque, realmente, não temos orçamento para isso, portanto, ficamo-nos por uma Guerra dos Cartazes, uma aventura com as próximas eleições legislativas como pano de fundo mas que já está a atingir proporções épicas. Como boa aventura que se preze, o final é incerto, mas também já deu para ver a baixa opinião que os políticos nacionais têm dos eleitores. É que os portugueses até podem não ir às urnas votar, até podem não ir aos comícios abanar bandeiras, até podem não ir aos mercados apertar aos mãos aos candidatos, mas não andam propriamente a dormir.

E, posto isto, é a barraca que se tem assistido nos últimos dias. Os diretores de marketing do PS de António Costa avançaram com cartazes muito apelativos, com slogans de encher o olho e ataques ferozes à coligação de direita que está no trono do poder. Para dar um ar mais pessoal à coisa e para que o cidadão comum se identifique com a luta dos socialistas que, dizem eles, é uma luta pelos nossos direitos, vá de meter a cara de cidadãos anónimos, que estão no desemprego, que não recebem subsídios, que têm as suas reformas cortadas, que se sentem ignorados ou abandonados pelo governo de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas.

Tudo muito bonito, de facto, até que os alegados cidadãos anónimos começam a ver as suas caras espalhadas pelo país todo e dizem que aquelas queixas não saíram das suas bocas, aliás, nem sequer deram autorização para os seus rostos serem utilizados para propaganda eleitoral, mais ainda, que as suas fotos foram tiradas não sei quando para não sei que fins. Mas algum diretor de marketing ou gestor criativo de uma agência de publicidade paga a peso de ouro tinha que meter rostos anónimos nos slogans que tinham inventado e não se preocuparam em utilizar fotografias descobertas em algum banco de imagens ou através do Google. Ou não tiveram problemas em contratar figurantes de alguma agência de modelos para meter os seus rostos nos outdoors.

A moda pegou, entretanto, e o Facebook foi inundado pelos tais cartazes e palavras de ordem, desta vez com novos protagonistas, desde os próprios candidatos às eleições, a treinadores e dirigentes de futebol, a ex governantes com reformas douradas a chorarem por estarem na miséria e sei lá mais o quê. Um diretor de campanha do PS já foi à vida, não se sabe ainda a sorte do senhor que lhe ficou com o lugar e os especialistas na matéria agora até dizem que os outdoors têm pouca influência na tomada de decisão dos eleitores. Ora, se assim é, para quê gastar tanto dinheiro a inundar o país com os ditos outdoors? Seja como for, no meio deste «circo» todo, os chavões e slogans do PS de António Costa, que até podiam ter muita razão de ser, agora são motivos de chacota nacional e deixaram de ser levados a sério.

O problema é que, do outro lado da trincheira, a coligação de direita parece querer cometer erros semelhantes, com slogans que podem causar mais dano do que ganhar votos e com a utilização de pessoas, ou figurantes, que até já apareceram em campanhas publicitárias noutros cantos do mundo. Então não haverá portugueses que possam dizer algo de bom sobre o atual governo? E também já não perceberam os diretores de campanha do PSD/CDS/PP que o português não deixa escapar nada, por muito distraído que aparente andar, e que, hoje, tudo se descobre graças às novas ferramentas da internet? É verdade que estamos em pleno Verão e que meio país está de barriga para o ar a apanhar banhos de sol nas praias do Algarve, mas isso não signifique que estejamos de olhos fechados ao que os candidatos vão dizendo da boca para fora, com uma leviandade tal que parece que isto já está tudo bem, que a crise faz parte do passado, que voltamos a andar todos de carteira recheada de euros.

Bem vistas as coisas, o comum cidadão fica com a ideia de que esses senhores engravatados andam a gozar com a malta, que tomam decisões que decidem o futuro do país enquanto vão para praias privadas nos seus carros de grande cilindrada e potentes ar condicionados, que mudam de discurso de um dia para o outro conforme os adversários desmascaram as «mentiras» ou «incorreções» que disseram no discurso anterior. E depois admiram-se que os portugueses não vão votar, ainda para mais quando todos nós sabemos que nada do que é agora prometido vai depois ser cumprido e que os credores internacionais é que mandam em Portugal.

Daniel Pina

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