Está decidido, sou candidato…

partidoHabituado que estou há alguns meses a fazer uma revista todas as semanas, encarregue de realizar entrevistas e reportagens no terreno, tirar fotografias e fazer o seu tratamento, paginar e preparar tudo para o produto final ir para o espaço sideral, fiquei com um andamento tal que já me faz confusão quando o ritmo acalma um dia ou dois. E é nessa situação que me deparo hoje, com o trabalho escrito mais ou menos organizado e a próxima reportagem agendada apenas para sábado. Por isso, após muita ponderação durante toda a manhã, depois de ter despachado o pequeno-almoço das duas filhotas e antes de começar a pensar no almoço, tomei a consciente decisão de me candidatar.

Está decidido, sou candidato, não há volta a dar, a decisão é irreversível, acho eu, agora só falta afinar um ou outro pormenor. Legislativas ou Presidenciais? Hum! Para as Legislativas é capaz de ficar um bocado apertado, estão a mês e meio de distância, mas com calma tudo se compõe. O que não faltam por aí são partidos a nascer feito cogumelos, cada dia que saio à rua vejo um outdoor de um partido novo, ou movimento de cidadãos, ou sei lá o quê. Uns são da terra, outros dos animais, uns dos verdes, outros dos reformados, uns dos emigrantes enganados pelo BES, outros dos inconformados pelo Jesus ter trocado o Benfica pelo Sporting, uns do mais do mesmo, outros dos meninos bem que se chatearem com os seus patrões, perdão, líderes partidários, e decidiram criar os seus próprios partidos.

Realmente, para criar um partido, se calhar já entrei na corrida tarde demais. Arranjar as tais assinaturas obrigatórias não deve ser muito complicado, escrevo umas palavras de ordem no facebook, arranjo umas centenas de amigos novos numa base de dados qualquer e resolve-se o assunto. Não tenho é muito tempo livre para inventar um nome sonante para o partido, escolher as cores, o tipo de letra a colocar nos cartazes, os gritos de ordem, ou uns que, pelo menos, não sejam uma cópia descarada dos que já andam na praça pública.

Resta-me piscar o olho a algum dos partidos já formados, não daqueles importantes e mais tradicionais, porque para isso é preciso ter amigos no secretariado-geral ou na comissão política nacional, ter feito parte das juventudes partidárias, ter andado uns anos de bandeira a esvoaçar ao vento e a gritar contra tudo e todos até ficarmos roucos. Portanto, os outros todos, vocês sabem quem são, aqui têm um gajo porreiro para ser vosso candidato, a primeiro-ministro, deputado, presidente de câmara municipal ou junta de freguesia, uma coisa qualquer, desde que seja paga, claro, não quero estágios profissionais não remunerados. Até me considero bom falante, escrevo uns textos que respeitam minimamente o novo acordo ortográfico e, se for mesmo necessário, posso despejar da boca para fora uns «sacanas», «corruptos» ou «oportunistas» contra quem vocês entenderem ser conveniente.

Se, por acaso, acharem que já é tarde para escolherem um novo candidato para as Legislativas, fechamos já contrato com vista às Presidenciais, onde os cogumelos também nascem todos os dias. Já perdi a conta ao número de senhores e senhoras com vontade de se mudarem para o Palácio de Belém em 2016, acho que está quase nas duas dezenas, uns com o apoio dos partidos cujas cores sempre vestiram, outros sem apoios de estruturas partidárias, uns antigos governantes ou pessoas de créditos reconhecidos, outros uns perfeitos paraquedistas que ninguém sabe muito bem de onde apareceram, mas eles não se fazem de rogados e, tal como eu, são candidatos.

O problema é que estão praticamente todos na pré-reforma, ainda não percebi bem se isso é um requisito para se ser candidato a Presidente da República ou se são apenas uns cidadãos seniores que querem conhecer mais uns países antes de partirem para o grande além e, se o puderem fazer à conta do erário público, ainda melhor. Mas, se for preciso pintar os cabelos todos de branco, também sou homem para o fazer, tudo a bem da nossa grande nação. Rugas também já tenho, mas posso inventar mais algumas no Photoshop. E, verdade seja dita, o meu passaporte é tão pobrezinho de carimbos que até tenho vergonha de o mostrar aos meus amigos mais viajados.

Por isso, a bem de Portugal, das novas gerações, dos nossos queridos velhinhos, em defesa do nosso futuro, da Saúde, da Educação, da Justiça e por aí adiante, sou CANDIDATO. Nada me fará mudar de opinião.

Espera! O Sporting joga hoje para a pré-eliminatória da Liga dos Campeões? Isso já começou? Raios, esqueci-me de pôr um lembrete na agenda do telemóvel. Isso já me altera um pouco os planos. Amanhã tenho que ir pagar portagens aos CTT e num instante é fim-de-semana. Raios!

Bem, depois de muito ponderar, e a bem da nossa grande nação, não quero dividir as opiniões dos poucos portugueses que ainda se dão ao trabalho de votar. Assumo que há estruturas no terreno que terão mais disponibilidade de tempo para os desafios de uma candidatura, para as Legislativas ou Presidenciais ou seja lá o que for. Agradeço as palavras de encorajamento, os apoios já garantidos, mas não posso, em consciência, e ao contrário dos outros candidatos, iniciar uma caminhada que poderei não ter condições para levar até ao fim. Portanto, está decidido, NÃO sou candidato! É irreversível. A não ser que o Sporting hoje leve uma tareia dos russos e, assim, se calhar até mudo de ideias outra vez. Não sei. Logo à noite digo de minha justiça.

Daniel Pina

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