O Passos, o Costa, a Matilde, os Refugiados e o Petróleo !!!

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Pelos vistos devo pertencer àquela meia-dúzia de portugueses que não viu o debate entre Pedro Passos Coelho e António Costa, não por esquecimento, mas por falta de vontade de estar não sei quanto tempo a olhar para a televisão a ver dois homens adultos a atropelaram-se um ao outro com ataques e contra-ataques, uns mais limpos do que outros, com promessas eleitorais e mitos urbanos, com verdades de la palisse e golpes baixos preparados por «spin doctors» pagos a peso de ouro, já para não falar de moderadores que se esquecem que estão ali para lançar perguntas e moderar e que, às tantas, já estão eles próprios a atropelar os candidatos. Assim, preferi ver mais uns episódios da última temporada do Hannibal e esperar pela análise final dos entendidos da matéria.

Nem precisei esperar muito e falaram os entendidos na matéria, os ditos comentadores e analistas políticos, e falou o país inteiro através do Facebook, tirando a tal meia-dúzia de portugueses que não estiveram a olhar para a televisão. Uns dizem que o António Costa deu uma tareia a Pedro Passos Coelho e tem vitória garantida nas Legislativas de 4 de Outubro. Outros dizem que Pedro Passos Coelho esteve francamente melhor. No Facebook, os socialistas lançam foguetes, dizem que o seu líder «esmagou» o atual Primeiro-Ministro. Por seu lado, os sociais-democratas regozijam-se com a prestação de Pedro Passos Coelho e afirmam que António Costa meteu os pés pelas mãos e não sabia o que andava para ali a dizer. Ora, se antes do debate havia, dizem, um empate técnico nas sondagens, não sei se a balança passou a pender para algum dos lados ou se continua tudo na mesma.

Mas não são apenas as Legislativas que andam na boca dos portugueses, agora temos o drama dos refugiados, tema sensível que divide opiniões, e as tais quotas que a União Europeia parece querer impor no que toca ao número que cada estado-membro deve acolher nas suas fronteiras. Não tenho escrito nada sobre o assunto porque é daqueles que, seja qual for a nossa posição, temos meio mundo a concordar connosco e a outra metade a jogar-nos pedras e a chamar-nos nomes. Como bom católico que sou, embora não daqueles de ir à missa ao domingo, concordo que se deve ajudar o próximo e os mais desfavorecidos. Penso, porém, que há portugueses desfavorecidos bem mais próximos de nós, à distância de um simples olhar, e que são ignorados ou esquecidos por quem agora defende com tanto fervor que se deve ajudar os refugiados da Síria. É das tais coisas que fica bem dizer-se na praça pública, mesmo quando os seus atos no dia-a-dia vão precisamente no sentido contrário.

E como o Facebook hoje é o espelho do que vai no pensamento das pessoas, percebi que há um terceiro tema a ombrear pelo topo das atenções dos portugueses, designadamente o decote com que a Matilde apareceu numa gala de uma revista masculina que se realizou em Inglaterra. Por momentos até pensei que a rapariga tivesse ido em topless para o tal evento mas, a julgar pelas fotos difundidas pela imprensa mundial, até levava um vestido daqueles que deve custar mais do que o comum português ganha a trabalhar o ano todo. Se tinha alguma coisa por baixo não sei, mas não vejo razão para tanta escandaleira, até porque é maior de idade. O problema é que não se trata de uma Matilde qualquer, é logo a filha do José Mourinho, e tudo o que rodeia o Special One tem um impacto acrescido, hoje foi a roupa da filha, noutros dias tem sido as coisas que o filho diz.

Eu, como sou uma pessoa mais terra-a-terra, ando mais preocupado com a prospeção e exploração de petróleo e gás natural a poucas milhas da costa algarvia. A polémica disparou mal se começou a falar nessa possibilidade e umas das vozes mais contestatárias foi do louletano Mendes Bota, na altura deputado do Parlamento Europeu. Depois, como estes processos são longos e nem sempre são tão mediáticos, o assunto caiu quase no esquecimento, até que se começaram a conhecer os consórcios que estavam a candidatar-se às licenças de prospeção e exploração e quais as respetivas zonas.

Logo surgiram grupos, plataformas e petições a contestarem o processo e a alertarem para os perigos para o Algarve, uma região que vive quase exclusivamente do turismo e das atividades marítimas. Antes do Verão chegou a haver manifestações contra a exploração de petróleo na costa algarvia que, infelizmente, ainda tiveram menos adesão que as que contestam as portagens na Via do Infante. Já se sabe como são os portugueses, gostam muito de criticar e dar ideias mas, quando é altura de se juntarem todos e meter mãos à obra, arranjem sempre algo mais interessante para ocupar o tempo.

O Verão foi bastante positivo para o turismo algarvio, a região esteve a abarrotar de visitantes nacionais e estrangeiros, o Algarve ganhou logo de seguida uma mão-cheia de prémios nos Óscares do Turismo, mas, pelo que parece, os ditos contratos com os consórcios já terão sido assinados e diz-se que a prospeção vai avançar já em outubro. Só que, pelos vistos, não foi só o cidadão comum que passou ao lado de todo este imbróglio, pois há vários responsáveis regionais que continuam sem saber o que se passa, seja porque andaram ocupados com outros temas ou com as eleições que estão à porta, ou porque as entidades competentes não facultam a informação que deveria ser de livre acesso a todos os interessados.

Estudos de impacto ambiental não se conhecem. Não se sabe como vão ser repartidos os rendimentos da dita exploração de petróleo ao largo da costa algarvia. Caso ela se venha a concretizar, desconfio que o pouco dinheiro que toque a Portugal nunca chega a sair de Lisboa mas, se houver algum acidente, quem se lixa é o Algarve. E mesmo que nunca aconteça nada de errado, há o perigo dos trabalhos provocarem sismos, há os cargueiros e petroleiros a passarem a poucas milhas da costa, prejudicando todo as empresas ligadas direta ou indiretamente ao turismo, há os efeitos na flora e fauna. E a ideia que transpira no meio disto tudo, caso assim seja verdade, é que os governantes se aproveitaram do facto dos portugueses estarem todos de férias no Algarve, de papo para o ar nas praias e a comer marisco e frango assado enquanto ouviam o Tony Carreira e o Quim Barreiros, para acelerarem com o processo sem que ninguém desse por isso. E tudo isto a poucas semanas de escolhermos os próximos homens e mulheres que vão governar Portugal.

Daniel Pina

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