Abriu a época alta dos tachos…

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E de repente andamos neste limbo governativo há praticamente duas semanas, toda a gente opina e desopina, toda a gente é amiga de toda a gente e, ao mesmo tempo, toda a gente anda em guerra com toda a gente, uns partidos contra os outros, uns contra os outros dentro dos próprios partidos. Resumindo, pensávamos que tínhamos decidido o rumo de Portugal nos próximos quatro anos e, afinal de contas, com tantos partidos a votos, com a abstenção nos valores elevados do costume, com conversas e mais conversas sobre números e mais números, arranjou-se um sarilho ainda maior do que aquele em que estávamos metidos.

Cavaco Silva já disse que quer um entendimento entre os partidos até terça-feira para saber quem vai colocar no trono do poder. Há quem diga que, mesmo sem acordos, empossa Pedro Passos Coelho como novo primeiro-ministro, há quem diga que, mesmo que a esquerda não chegue a um acordo, depois cai o governo na votação do orçamento do próximo ano, ou seja, é um verdadeiro imbróglio. Enquanto isso, lá fora anda tudo preocupado com o caminho que Portugal vai seguir, se vai manter-se fiel ao tratado orçamental, se vai querer ficar na moeda única e na NATO ou bater com a porta ao resto da Europa, se vai continuar a honrar os seus compromissos internacionais ou não. Quase que parecem receios exagerados mas, com a malta de esquerda metida ao barulho, uma pessoa nunca sabe.

Desde que me lembro que vejo a CDU e o BE a atacarem todas as políticas do governo, sejam elas quais forem e esteja no governo o PSD ou o PS. Quando não se tem perspetiva de ser poder, é realmente fácil cair nas graças do Zé Povinho, basta prometer mais dinheiro nas carteiras dos portugueses, serviços públicos todos à borla, nada de impostos, tudo do bom e do melhor. Nem é preciso explicar como é que se consegue concretizar essas promessas, aliás, nem eles sabem como o fazer porque, na hora da verdade, nunca tinham que cumprir o que prometiam. O problema é que, no cenário pós-eleições de 4 de outubro, já não é descabido que CDU e BE venham a fazer parte do governo e, pelos vistos, nem eles estavam à espera desse cenário, de maneira que, agora, já o discurso dos seus líderes é menos radical, já aceitam deixar cair algumas das suas bandeiras, fazer compromissos a bem da estabilidade do país, tudo para ir a reboque do PS para o poleiro.

A mim continua a fazer-me uma enorme confusão que os partidos que foram mais votados possam não constituir governo. E mais confusão ainda me faz que CDU e BE, que andaram quatro anos a bater forte e feio na coligação PSD/CDS e no PS, agora fiquem todos amiguinhos do António Costa e digam o dito por não dito. É como uma pessoa ser vegetariana a vida toda e, de repente, para conseguir um emprego, vai almoçar com o potencial patrão e come um belo bife de vaca, mal passado e com o sangue a escorrer pelo prato fora. Já não me vai fazer confusão nenhuma se, daqui a umas semanas, mais mês, menos mês, depois do governo tomar posse, seja ele qual for, se venha a descobrir que há uma carrada de novos funcionários públicos que não se sabe muito bem de onde apareceram. Ou melhor, sabe-se, são assessores, adjuntos, chefes de gabinete, secretárias, motoristas pessoais, contratados para este ou aquele Ministério ou Secretaria de Estado, porque a mudança de poder é uma autêntica época alta dos tachos.

Não quero ser má-língua, estou apenas a lembrar-me do que já aconteceu noutros períodos semelhantes, quando governantes que estão de saída contratam amigos e familiares para cargos sob a sua alçada direta, uns que já existem, outros que são criados para o efeito. Ao mesmo tempo, os governantes que estão na calha para entrar também já trazem consigo um rol de amigos e conhecidos a quem é preciso dar emprego, para compensar os apoios recebidos durante a campanha. E agora, como estão cinco partidos ao barulho, todos eles com expetativa de serem governo, ainda maior deve ser esse leque de funcionários públicos com cargos apalavrados, por muito que se diga que é preciso cortar da despesa pública e tal. Resta-me esperar algumas semaninhas para ver se estou certo ou errado mas, à laia de Placard, metia as minhas fichas todas na primeira opção.

Daniel Pina

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