Um ódio de estimação pelo Algarve…

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E pronto. Este ano não tivemos nenhuma Clara ou Henrique a escrever mal do Algarve num jornal ou revista de expressão nacional, houve um fulano qualquer do Reino Unido a dizer que a comida portuguesa, e a algarvia, é uma porcaria, nada que tivesse chateado muito, mas não podia terminar o ano sem aparecer um «cromo», que até se intitula «comediante», a aproveitar as inundações que destruíram parte de Albufeira, e que afligiram igualmente outros pontos da região, para largar umas bujardas pela boca fora no Facebook. Queixa-se que é mal atendido, que os algarvios só tratam bem os estrangeiros, goza com a tragédia que se abateu sobre dezenas de empresários e que afeta diretamente as suas vidas, dos seus familiares, dos seus empregados e como, pelos vistos, é adepto dos queixumes, depois queixa-se das críticas de que foi alvo graças aos seus comentários.

Se escreveu aquelas alarvidades na posse total das suas faculdades mentais, é realmente uma pessoa muito triste e que merece pouca ou nenhuma consideração. Quase que dá vontade de desejar que lhe aconteça o mesmo que às gentes de Albufeira, mas eu fui educado a não desejar aos outros aquilo que não desejo para mim. Se escreveu aquelas baboseiras a tentar ter graça, visto intitular-se «comediante», mostrou que ainda é pior como humorista do que como ser humano. Deve julgar-se um Herman José, Ricardo Araújo Pereira ou Nuno Markl, mas a verdade é que são muitos poucos aqueles que podem dizer umas piadas sobre tragédias humanas sem ultrapassar os limites do bom-senso e sem gerar o repúdio generalizado.

Sem querer dar mais tempo de antena a quem não o merece, verifico, contudo, que há por ai muita gente com um verdadeiro ódio de estimação em relação ao Algarve e que, volta e meia, quando lhe salta a tampa, ou quando acontece na região algo de negativo e com bastante mediatismo, abrem as comportas da baboseira e lá vai de debitar palavras ou caracteres com extremo mau gosto. O que noto, todavia, é que todos esses profetas da parvoíce não passam um Verão sem vir gozar férias ao Algarve, se calhar em visitas de estudo para ver o que podem criticar depois de regressarem às suas vidinhas em Lisboa, no Porto ou noutra qualquer grande metrópole. Ou, muito provavelmente, saem do Algarve com tanta inveja da qualidade de vida que cá temos depois de eles se irem embora, que não conseguem conter a verborreia.

Mais preocupante é ver um governante a dizer que Albufeira foi atacada por ondas demoníacas, que um idoso que faleceu nas cheias «se entregou a Deus», que as inundações devem servir de lição aos empresários que não têm seguro que cubra os estragos, tudo para tentar que a tragédia de Albufeira não seja declarada de calamidade pública, quiçá porque o Governo não tem dinheiro para ajudar quem dele mais precisa nos seus momentos de desespero, as mesmas pessoas que pagam religiosamente os seus impostos, vá-se lá saber para onde vai todo esse dinheiro.

Mas quando há inundações no norte de Portugal, ou cheias e derrocadas na Madeira, é logo declarado o estado de calamidade pública, toca a mandar milhões de euros para ajudar na reconstrução, toca a fazer concertos com bandas e artistas de topo para angariar fundos para ajudar as famílias desalojadas. Já para o Algarve, nada que se pareça. Aliás, deixo aqui uma ideia – parva, eu sei, que tolo que eu sou em sequer pensar nela – mas o Anselmo Ralph até podia abdicar do cachet do concerto que vai dar na Praia dos Pescadores na passagem de ano para ajudar precisamente na reconstrução desse local idílico do Algarve e para ajudar os comerciantes da baixa de Albufeira a reerguer-se. Eu sei, mas que ideia tão parva que eu fui ter. Mas que era um gesto bonito, lá isso era…

Daniel Pina

 

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23 opiniões sobre “Um ódio de estimação pelo Algarve…

  1. Primeiro um inglês, que só assim de longe deve ter sido rude e mal educado como muitos deles que eu aturo são. Depois um humorista que tem um problema qualquer com o Algarve ou que é simplesmente parvo e por último um governante que em vez de estar no governo devia mas era ir para um mosteiro, já que ficou parado algures no ano 1200… Com toda a sinceridade, serão estas personagens uma pequena amostra do futuro do meu país? É que se assim for, acho que estamos mesmo em apuros…
    O autor do texto está de parabéns, um texto sincero e que apela às pessoas para abrirem um bocadinho os olhos.

    1. Minha Senhora , presumo que quando diz “…eles são escumalha ” , se refere a todos aqueles que não são algarvios. Sou nortenho , não algarvio e não me considero escumalha.
      Há gente dessa no Norte, tal como no Algarve também há . Não generalizemos, tenhamos algum cuidado e um pouco de bom senso . Não esqueça que a escumalha também vai ao Algarve deixar o subsidio de férias nos Hotéis e Restaurantes , a comprar o doce de figo e o licor de amêndoa, e contribuir também para o desenvolvimento da região .

      1. Pena que o dinheiro que o Algarve – a terceira regiao mais rica de Portugal a seguir a Lisboa e Madeira – contribui para o PIB nacional nao seja compensado, nem em casos de calamidade… e se descontar-mos que a Madeira tem estatuto de offshore… entao o Algarve esta logo a seguir a Lisboa em termos de PIB… portanto… a esmolazinha do licor de amendoa esta bem, mas nao serve para retribuir o que o Algarve da a Portugal a nivel de numeros reais e em termos de imagem do Pais para os turistas de todos os quadrantes e investidores que sao na sua maioria estrangeiros.

  2. No concerto de fim de ano, alem do Anselmo oferecer o cachet . Devedia de haver o pagamento da entrada.Como se fazia nos anos sessenta pelas festas da praia. Com a verba a reverter a favor dos BVA, nem que fosse no minimo um eurozito.

  3. Tou de acordo c o texto escrito, so discordo a parte do Anselmo Ralf abdicar do concerto, o gesto mais bonito é fazer o concerto free e ainda ajudar na reconstrução… Lol

  4. Eu como Algarvia concordo com tudo o que li mas quero salientar um simples facto que não foi só Albufeira que sofreu com as chuvas. Outras cidades como Quarteira, Vilamoura, Boliqueime tb sofreram apesar de ser numa escala inferior. E seria bom que disséssemos a destruição no Algarve não só Albufeira.

  5. Concordo com todo o texto mas, não tem de ser o Anselmo a prescindir do pagamento do trabalho dele em prol do que quer que seja , ninguém está a pedir os rendimentos mensais de cada cidadão algarvio quanto mais o de alguém que vai trabalhar nunca noite em que todos se divertem para pagar aquilo que o Estado devia ser responsável , há dinheiro e casas para os refugíamos mas não há para os portugueses ??

  6. Estou totalmente de acordo com o texto e assino por baixo. Nada mais à a acrescentar há muita gente nomeadamente portugueses de outras regiões e estrangeiros que gostam muito de vir cá passar férias e depois só fazem de tudo para destruir o ambiente calmo e acolhedor característico deste maravilhoso Algarve, sim porque nós estamos entre os melhores da Europa e talvez do Mundo no que toca ao Turismo, nós algarvios estamos habituados e somos confrontados desde cedo a acolher muitos turistas que por cá passam, e não me venham dizer que somos nós que somos mal educados vocês que vêm para cá passar férias com esse espírito todo stressado de Lisboa e do Porto e de outras grandes cidades é que não estão habituados à nossa calma e tranquila maneira de estar. Com tudo isto e como é normal claro que há muita gente com inveja do Algarve e dos algarvios e que cada vez que surge uma situação destas ficam a bater palmas, enfim… temos de nos ir acostumando agora uma coisa é certa,se depender de mim e de outros mais algarvios NADA nem NINGUÉM vai conseguir destruir e deitar abaixo esta Região!!!

    Um grande abraço para todos os algarvios que sentem orgulho em o serem tal como eu, e especialmente um forte abraço e muito força a todos os que foram afectados pelas cheias.

    ALGARVE SEMPRE!

  7. Bom dia, lamento mas nao concordo totalmente com o que disse. Mas por acaso sabe porque ocorreram a maior parte das correntes de água que inundaram e arrasaram com Albufeira? Ao que sei esqueceram-se de abrir 3 de 4 diques e foi isso que causou o caos. Porque carga de água isto deve ser considerado calamidade pública quando a cilpa foi da autarquia da cidade? Se for preciso eu, enquanto contribuinte, “paguei” os ditos diques. E agora querem que, por completa ignorância/ burrice, não os tenham aberto e que por isso tenho de voltar a pagar os estragos causados? Não me parece. Empresários e pessoas de Albufeira, invadam a autarquia e não sejam ignorantes. A culpa tem culpados e está mesmo à vossa porta, não em Lisboa.

  8. Subscrevo, e aproveito para adicionar que sim, lógica e obvicamente que os turistas estrangeiros são melhor tratados! Deve-se simplesmente ao facto de eles próprios terem mais respeito por quem trabalha e não serem uns miseráveis como a grande maioria dos tugas que vão para de férias para o Algarve com os tostões contados mas exigem ser tratados como doutores, com arrogância de “quem nos vem dar de comer”, essa velha falácia que infelizmnete ainda circula pela boca de tanto ignorante por esse país fora. Falo por mim, que nem sequer sou do Barlavento, mas se estivesse dependente do turismo de verão para sobreviver no Inverno, concerteza já teria morrido à fome, pois o turismo “tuga” mês de Julho e Agosto é cada vez mais deplorável.

    1. ” não serem uns miseráveis como a grande maioria dos tugas que vão para de férias para o Algarve com os tostões contados mas exigem ser…” A séreio que disse isto???? Mas são estes tugas que vão pagar com os seus impostos a reconstrução dos espaços estragados pelas chuvas… que vão pagar com os seus impostos as remodelações de estabelecimentos comerciais que não tinham seguro multi-riscos… algo que além de ser importante é OBRIGATORIO por lei… e quando alguém diz isto na televisão é o horror!!! Horror é não estar dentro da lei, ser irresponsável e agora vir chorar. Não passo férias no Algarve, conto os meus tostões para ir gasta-los a outros sitios onde seja bem tratatada. Pelos vistos, não é preciso ajudar os tugas do Algarve! Eles até se dão ao luxo de escolher os clientes! Vão pedir ajuda aos estrangeiros que têm respeito por quem trabalha,…. no final de contas, até são eles que aproveitam o Algarve!

      1. Cara Anónima,

        Faz muito bem levar os seus tostões para outro lado! E sim, os estrangeiros têm muito mais respeito por quem trabalha. Já não estou no atendimento ao publico, mas preferia muito mais atender estrangeiros do que portugueses no Verão e monetariamente não ganhava nada com isso porque onde trabalhava nem sequer estava relacionado com o turismo, a unica coisa que ganhava era não ter que aturar mal-humorados e frustrados.

        Claro que também existem muitos portugueses simpáticos, incluindo de Lisboa e Porto mas com 5 anos de atendimento ao público esta é a minha opinão e já que a cara fez-nos o favor de partilhar a sua eu também quis partilhar a minha consigo.

        Bom domingo!

  9. Como é possivel por uma tempestade,da intempérie ,ou, erro humano , no Algarve, um país se acusar de lés a lés ????? Oh! meu DEUS !!!! Não vi,não vejo, nem nunca verei calamidades,por este prisma!!!! Existimos,em qualquer zona do pequeno retangulo para nos entreajudar em situações desta natureza. Depois de ler alguns comentários,penso, com pena minha. Falta de crescimento humano !!!!!!

  10. Nasci na Margem Sul do Tejo, vivo no Algarve. Estive em Albufeira nesta sexta-feira. Foi a primeira vez que lá fui depois das cheias. Cada pessoa que vi no Largo Engenheiro Duarte Pacheco, estava de roupa, calças e galochas sujas (ainda) da lama, incansáveis, com a expressão de coragem estampada no rosto e ao mesmo tempo aquela esperança de ver tudo como era dantes, os agentes de seguros espalhados um pouco por toda a parte de telemóvel colado ao ouvido e a bracejar e em diálogo seguido e contínuo de discussão que visa (ou não) a solução, enfim… e eu, que tinha estado nesse local há cerca de um ano, fazendo a retrospectiva do que vi e o que estava a ver… fiquei sem palavras. Sem palavras pela determinação de TODA a gente que ajudava e sem palavras por ver ainda tanta lama espalhada e o sentir de um leve cheiro a águas pluviais… esquisito, mesmo. Não critiquem, não apontem, não entrem em bairrismos. Somos um país pequeno. E mais pequeninos seremos com tudo o que eu já li aqui…

  11. não sou natural de cá, entenda-se Algarve, Portugal, mas é cá que vivo, e é cá que trabalho e que tenho amigos e que vejo o brilho do sol quase todos os dias. é nesta linda região que escolhi para viver e que por acaso até é um dos principais contribuidores para o rendimento interno bruto deste país, através da sua beleza e diversidade natural que oferece para quem cá quer vir e usufruir disto tudo e depois sair a falar mal, pois é vir com os tostões contados e esbanjar má educação de fato não é simpático né mesmo!!! autoridades o Algarve dá muito dinheiro a este país sim por isto e neste momento precisa que o pais dê um pouco ao Algarve, toca abrir os cordões as bolsas dos fundos existentes para tal e ajudar quem muito ajuda, sim porque toda a “má educação” do empregado de mesa, do dono da mercearia, do empregado do super mercado e etc, durante os meses de verão, quase me esquecia os residentes, ajudamos com os nossos impostos sim e já agora sejam bem vindos ao Algarve terra de gente marafada!

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