Num instante se foi o primeiro dente de leite !…

dentedeleite
Neste corre-corre em que andamos todos de um lado para o outro, o tempo vai passando e às vezes nem damos pelo escorrer dos grãos de areia pela ampulheta abaixo. É verdade que as novas tecnologias ajudam imenso uma pessoa a não se esquecer dos compromissos profissionais mais importantes, basta perder uns segundos a criar um lembrete na agenda do telemóvel e aquilo começa a apitar na altura certa para nos recordar disto e daquilo. Infelizmente, já não sou tão rigoroso a criar lembretes para eventos familiares, tirando as consultas das miúdas e as situações relativas à escola. Ou seja, tudo quando é aniversários, seja datas de nascimento, início de namoro, dia do ajuntamento, casamento pelo civil, casamento pela igreja, batizados e afins, sou uma desgraça.

Eu sei que só demora uns segundos a criar lembretes para todas essas datas, que sou desleixado nesse aspeto, mas quem viveu até aos 23 anos com uma avó seis décadas mais velha, que tinha as suas rotinas próprias, habituou-se a não dar grande importância a essa coisa de aniversários, Páscoa ou Natal, em que é suposto presentearmos os entes queridos com alguma coisa. O problema é que as mulheres já não são assim tão inferentes a essas datas do calendários, o que me obriga a estar em constante alerta aos zunzuns, conversas paralelas, dicas mais ou menos diretas, rabugices, amuos e outros sinais da minha cara-metade que me avisam, de forma mais ou menos direta, que me estou a esquecer de qualquer coisa que qualquer marido é obrigado a lembrar-se, caso contrário, é o «ai jesus».

Isto tudo para dizer que, no tal corre-corre em que andamos, os anos passam à velocidade da luz e só nos apercebemos realmente disso nas tais datas festivas e nos eventos mais simbólicos dos nossos filhos, sobretudo quando entram para a creche ou jardim-de-infância, depois para a escola primária, e por aí adiante. E um desses momentos aconteceu há poucos dias, quando caiu o primeiro dente de leite da minha filha mais velha. Ela andava louca desde que o dente começou a abanar, as mulheres da casa andavam frenéticas com a história da «Fada dos Dentes», sempre a dizer-lhe para não perder o dente quando caísse, que o tinha que colocar debaixo da almoçada, senão a tal fada não lhe deixava uma prenda durante a noite.

Eu dei por mim a pensar que, realmente, estou a ficar velho e que as minhas bebés já não são bebés. Óbvio que as rugas e os cabelos brancos me lembram todos os dias que não estou a ficar mais novo, mas a Margarida já perdeu o primeiro dente de leite e num instante vai para a primária. Depois é a Madalena que segue as mesmas pisadas e isso significa um tipo distinto de corre-corre e com dores de cabeça de espécie diferente, mas com um prazer inolvidável de vê-las a crescer.

Para trás ficaram os tempos em que ficavam sossegadinhas no berço ou na cama, a brincar com os bonecos, a refilar com os desenhos animados da televisão. Hoje, elas próprias andam num corre-corre que por vezes me surpreende e que quase nos obriga a ter uma agenda própria só para elas. Ou pelo menos para a Margarida, a caminho dos seis, sempre muito requisitada para festas de anos. Depois são as massagens e a ginástica na escola – o que significa que tem que ir com uma roupa própria, as peças de teatro e as idas à biblioteca e o desfile dos mini Pais-Natais do concelho de Loulé já no dia 4 de dezembro. E são as aulas de hip-hop na Academia de Dança do Algarve, com direito a espetáculo com pompa e circunstância no dia 11 de dezembro e a um ensaio geral no dia 8. E depois é a festa de Natal do infantário da Madalena, com dois anos, no Centro Paroquial de Quarteira, no dia 14 de dezembro.

Andam elas a correr dum lado para o outro e, como é óbvio, andam os pais, ou os avós e tios, atrás delas quando os pais não têm horários compatíveis ou facilidade em trocar folgas. E os grãos de areia vão escorrendo pela ampulheta abaixo e nem damos por eles. E nem quero pensar quando chegar a fase da adolescência, dos namoricos, de quererem ir passar a noite a casa das amigas ou de quererem ir a este bar ou àquela discoteca. Ai sim vai ser um «ai jesus» dos diabos para mim, que já serei cinquentão, provavelmente ainda mais rabugento e stressado. Mas enfim, é melhor pensar num grão de areia de cada vez…

Daniel Pina

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