As prendinhas do Pai Natal Costa !…

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É chegada a altura de comprar prendinhas para toda a gente, para a família, para os amigos mais chegados, para os «amigos secretos» nos jantares de empresa, para o taberneiro da esquina, para a dona Alzira da mercearia, para o Xico que está sempre a pedir moedinhas à porta dos CTT. E, já agora, comprar uma prendinha para nós mesmos, se o cartão de crédito esticar mais um bocadinho. Depois, é esperar para ver quem se lembrou de nós e, como é óbvio, há sempre aqueles episódios constrangedores de oferecermos algo a alguém e essa pessoa, meio envergonhada, dizer que não havia necessidade, que não era preciso, que não estava a contar receber nada nosso, tudo para desculpar o facto de não ter nada para nos dar. E nós lá respondemos para não se preocupar, que não estávamos à espera de receber algo em troca, que não há qualquer problema, o importante é dar uma prendinha aos miúdos, eles é que vibram intensamente com o Natal. Só que o espírito natalício já não é o que era, isto de dar pelo simples ato de dar é coisa dos nossos antepassados, portanto, «ai esqueceste-te? Para a próxima não levas nada».

Da minha parte, tenho andado mais interessado nas supostas prendas de Natal que o novo governo, liderado por António Costa, tem para nos oferecer, ainda que já não cheguem a tempo das festividades deste ano. E muito se tem falado, efetivamente, de algumas medidas que prometem, caso venham a ser realmente concretizadas, influenciar bastante a vida dos portugueses. Se há dinheiro ou folga no orçamento de estado para as cumprir ou não, até parece nem importar, o que interessa é fazer tudo ao contrário do que vinha sendo feito por Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, caso contrário, o PS arrisca-se a que o BE e o PCP lhe puxem o tapete antes do tempo.

Uma dessas promessas é o regresso em força do Simplex que, pelos vistos, tem andado de férias ou de licença prolongada. É das tais medidas que não coloca diretamente dinheiro nos bolsos dos portugueses mas, supostamente, devia agilizar muita da burocracia com que lidamos no dia-a-dia e, como se sabe, tempo é dinheiro. Mas, na verdade, apesar de todos os avanços tecnológicos e de o mundo estar todo ligado em rede através da internet, parece que continuamos na era dos recadinhos em folhas de papel e de andarem todos a atropelarem-se uns aos outros.

Depois, há as prendas de arregalar os olhos. É a eliminação progressiva da sobretaxa de IRS, é o aumento do salário mínimo para 600 euros, é a reposição dos salários dos funcionários públicos, tudo medidas confirmadas pelo novo primeiro-ministro no primeiro dia do debate do programa de Governo. E lá começou Pedro Passos Coelho, agora a assistir ao espetáculo do outro lado da bancada, a rir à força toda, depois de já se ter fartado de rir nos últimos dias em que mandava no país. Ora, se ver deputados ao murro e à estalada nas sessões dos parlamentos de alguns países asiáticos não abona em nada a imagem dos políticos, também não me parece que esta postura de chacota e paródia seja muito correta. Aliás, os social-democratas foram todos muito críticos quando o antigo Ministro da Economia do PS, Manuel Pinho, fez sinal de cornos para a bancada do PCP, e agora parece que estão a ver uma comédia nalguma sala de cinema, em vez de estarem a debater o futuro da nação.

Voltando às promessas de António Costa, claro que agrada aos portugueses todas estas prendinhas de Natal, assim como a redução das tarifas dos transportes públicos e das taxas moderadoras na Saúde, a descida do IVA da restauração, a abolição das portagens na Via do Infante e noutras autoestradas, ou seja, deitar pela janela fora tudo o que são medidas de austeridade. O problema que vejo, e não sou economista nem especialista nestes assuntos, é que todas estas medidas implicam uma maior folga para os bolsos dos portugueses, mas também um valente corte das receitas públicas, e não se explica muito bem onde é que o governo socialista vai arranjar dinheiro para tudo isso.

Claro que podem dizer que vão cortar nas gorduras do aparelho estatal, diminuir o défice público, o blablabla do costume, mas já sabemos que isso é conversa fiada. Aliás, o governo de António Costa até é dos maiores dos últimos tempos, com ministros e secretários de estado que nunca mais acabam. Queixaram-se que, enquanto o governo de Pedro Passos Coelho estava em gestão, na corda-bamba, à espera de cair a qualquer momento, foram contratados uma série de novos funcionários públicos, que uma mão cheia de «boys» ganharam uns «jobs» novos, mas o PS até conseguiu colocar no elenco executivo uma família inteira. É caso para dizer «vira o disco e toca o mesmo».

Também podem dizer que vão aproveitar melhor os fundos comunitários, concorrer a este ou aquele programa da União Europeia, mas essa teta já não tem quase leite nenhum para dar. E também não podem estar sempre à espera que o jackpot do Euromilhões saia em Portugal para ficarem com os tais 25 por cento do bolo. Portanto, só nos resta mesmo esperar para ver que prendinhas o Pai Natal Costa afinal nos vai oferecer e se, no fim da história, não nos dá também a fatura para as pagarmos.

Daniel Pina

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