Mulder e Scully estão de regresso… e as rotundas também!

mulderscully

Depois do regresso da saga Guerra das Estrelas, eis que janeiro ficou marcado por mais um renascer das cinzas, desta vez Fox Mulder e Dana Scully, os carismáticos agentes do FBI que, lá pelos anos 90, andavam de olhos postos nos céus à caça de OVNIS e de outros fenómenos paranormais. Depois da série da FOX ter terminado ao fim de nove temporadas, e ter dado origem a dois filmes de sucesso mediano no grande ecrã, os ilustres gurus da televisão norte-americana decidiram recuperar a dupla de investigadores de tudo o que é estranho e cheira a teorias de conspiração.

Confesso que sou um ávido consumidor de séries de televisão, mas a 10ª temporada dos Ficheiros Secretos fica para ver para daqui a uns meses, prefiro ver os episódios logo todos de rajada do que esperar pacientemente uma semana para dar seguimento à história. Por isso, ainda não me posso prenunciar sobre o enredo ou a qualidade da nova temporada, mas uma certeza há, o grau de exigência é muito maior do que quando os X-Files foram primeiro para o ar em 1993, e ainda maior do que quando, supostamente, chegaram ao fim, em 2002. É que a última década foi marcada por excelentes séries de ficção científica, do sobrenatural e paranormal, de conspirações governamentais e por aí afim. Resta esperar para ver como Mulder e Scully lidam com a pressão.

De regresso estão, igualmente, as rotundas. É verdade, a EN 125 parece ter sido atacada, nas últimas semanas, por um vírus desenfreado de rotundas. Não sei se é a tão propagandeada requalificação da principal artéria do Algarve ou se apenas o retomar de modas antigas, mas o certo é que parece que estamos em pleno agosto, com tantas filas de trânsito geradas pelas obras. E mais uma vez se confirma o que os historiadores dizem insistentemente, que tudo funciona por ciclos.

Lembro-me de uma época em que a EN125 estava cheia de rotundas. Depois, algum especialista em segurança rodoviária ou ordenamento paisagístico decidiu que as rotundas eram perigosas, ou inestéticas, ou antiquadas, e toca a destruir rotundas, colocando em seu lugar semáforos, radares e controladores de velocidade. Gastou-se uma pipa de massa nas obras, foi um transtorno para os condutores, mas pronto, há que acatar as decisões que chegam lá de cima.

Anos mais tarde chegaram à conclusão que, afinal, as rotundas faziam falta para impedir que os condutores pisassem com demasiada força no acelerador, que eram fundamentais em determinados pontos da EN125 para facilitar a entrada e saída de viaturas de outras estradas ou de grandes superfícies comerciais. Gastou-se mais uma pipa de massa, foi outro transtorno para os condutores, mas lá se fizeram as obras.

Até que alguém se lembrou de voltar atrás no pensamento e, com isso, lá se foram à vida algumas rotundas. No meio destas mudanças de estado de alma, e como se abateu a crise financeira, houve concelhos que se atrasaram a seguir estas modas e ficaram ali encravados a meio caminho, o que é bom porque, agora, até parece que estão mais adiantados do que os vizinhos nas novas obras de requalificação. E, como se adivinha, andam as pessoas todos os dias a rogar pragas a quem meteu na cabeça fazer tantas obras ao mesmo tempo, e a curtas distâncias umas das outras, na EN125.

Mas o português, como bom fadista que é, nunca está contente e queixa-se sempre de tudo. Se os presidentes de câmara não fazem obras, é porque são incompetentes ou andam a gastar o dinheiro dos impostos em festas, jantares e fogos-de-artifício. Se fazem obras, é porque se aproximam eleições e andam à caça dos votos. Quando as eleições ainda vão longe, lá batem palmas mas, claro, afirmam logo que havia outras obras mais importantes para se fazer, ou seja, o dinheiro nunca é bem gasto. Pior do que isso, na maior parte das vezes, as pessoas nem se preocupam em saber se determinadas obras são da responsabilidade do poder local, via câmaras municipais e juntas de freguesia, ou do poder central, nesta caso das «Estradas de Portugal». Os coitados dos presidentes de câmara ou de junta é que levam sempre nas orelhas, e depois ainda se queixam os eleitores de serem sempre os mesmos a candidatarem-se aos cargos públicos.
Daniel Pina

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