Afinal ficou tudo na mesma… ou pior!

combstiveis

Este fim-de-semana podia vir o Papa Francisco a Portugal, podia cair um arranha-céus no centro de Lisboa ou Porto, podia outro antigo governante ou banqueiro de elite ser preso, podia até aumentar de forma disparatada o preço dos combustíveis, que tudo era ofuscado pela derrota do Benfica perante o Porto em pleno Estádio da Luz. Andavam os tais seis milhões de adeptos convencidos da vida que o tricampeonato já estava no papo, depois de terem chegado finalmente ao topo da classificação geral, para, como diz boa parte da imprensa, terem descido à terra com o desaire de sexta-feira.

Sobre isso não me vou alongar mais, até porque, à hora que escrevo isto, o «meu» Sporting ainda não jogou com o Nacional da Madeira no Estádio da Choupana e já todos aprendemos que é melhor não atirar foguetes antes da hora, não vá depois termos que engolir em seco mais um sapo. Portanto, não sou daqueles que só segunda-feira é que vai reparar que o preço dos combustíveis aumentou outra vez, em virtude da subida do ISP em seis cêntimos por litro. Mas o mais ridículo é que esta subida do Imposto sobre Produtos Petrolíferos acontece para compensar a descida das cotações do petróleo nos mercados internacionais, o que gerou uma perda de receitas para o Estado.

O aumento total dos combustíveis deverá rondar os 7,38 cêntimos por litro, traduzindo-se em mais cerca de 400 milhões de euros de receitas para o Estado este ano, que teve que inventar medidas-extra de austeridade para agradar a Bruxelas, caso contrário, não havia Orçamento de Estado para ninguém. E se já fazia confusão a toda a gente o facto do preço dos combustíveis não acompanhar a descida, para níveis históricos, do petróleo, agora, pelos vistos, deixou de fazer sentido a lei da procura e oferta dos mercados, uma das bases de todos os ensinamentos sobre Economia.

Ou seja, a livre concorrência entre empresas e as vontades dos mercados internacionais deixam de interessar porque, mesmo que isso conduza a uma redução dos preços, o Estado inventa um novo imposto, ou aumenta os já existentes, de modo a não perder receitas. Receitas que servem para tapar os buracos orçamentais e para continuar a alimentar as gorduras do aparelho. É que nem sequer servem para apostar mais na Cultura, na Saúde, na Educação, nem sequer para promover mais e melhor Portugal em termos turísticos. É dinheiro que vão tirar aos bolsos dos portugueses para disfarçar os erros estratégicos cometidos pelos governantes há não sei quantos anos, para ajudar a pagar os elefantes-brancos que se construíram nas últimas décadas, e mais aqueles que ainda pensam em construir.

Mas a minha rabugice fica ainda pior quando o novo governo teima em continuar a dizer que a austeridade acabou, aliás, adaptaram ligeiramente o discurso, afinal não terminou ainda, mas começamos a caminhar para o fim da austeridade. Só que não foi bem isso que o PS prometeu durante a campanha para as Legislativas. Tudo bem que aumentaram o salário mínimo, que vão aplicar mais impostos aos ricos, aos bancos, às grandes empresas, que cumpriram algumas das suas promessas eleitorais. Contudo, basta uma medida ou duas como esta subida do ISP para os portugueses ficarem outra vez na mesma, ou ainda pior do que estavam.

E quando começam a falar no início do fim da austeridade, do primeiro passo para isto ou para aquilo, eu lembro-me logo da conversa de senhores que estiveram anteriormente na cadeira do poder, de que estávamos a entrar na fase final da espiral recessiva, de que se tinha começado a inverter o ciclo negativo, de que já se começava a vislumbrar uma possível luz ao final do túnel. Quando os governantes aderem a este discurso que nem é branco nem preto, que nem é carne nem peixe, que se está a dar o primeiro passo para o início do arranque do pontapé de saída para o sinal de partida para isto ou aquilo, dispara logo em mim uma carrada de sinais de alerta a avisarem-me que, pelos vistos, mudam os partidos, mas ficamos todos na mesma… ou pior.

 

Daniel Pina

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