Liberdade de expressão… essa utopia da vida!

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Kim Kardashian voltou a estar no centro das atenções do mundo inteiro nesta semana que agora termina. Nada de estranhar, nota-se que a moça gosta que o seu nome ande de boca em boca e tudo faz para que isso aconteça com regularidade. Também acredito que muitas «bocas» tudo fizessem para andar em cima dela, mas isso já não vem ao caso. O certo é que Kim sabe como se manter na ribalta ano após ano, pelos vistos até faz disso profissão, entre programas de televisão sobre a vida da sua família, sessões fotográficas polémicas, vídeos comprometedores, mexericos para aqui, rumores para acolá. Algo que imensos aspirantes a celebridades em Portugal tentam fazer para ter os seus 15 minutos de fama prolongados para além dos tais 15 minutos, mas, para variar, também ainda não chegamos aos pés dos americanos nesse aspeto em concreto.

Desta vez a polémica estalou por colocar uma fotografia nua numa popular rede social, ainda que com umas barras negras a tapar as partes mais pudibundas. Muitos famosos criticaram o gesto, outros famosos reproduziram o gesto para mostrar a sua solidariedade, mas tudo isto volta a demonstrar que a liberdade de expressão, essa tal coisa estranha que está consagrada nos Direitos Humanos e escrevinhada na maior parte das constituições do mundo civilizado, ainda é uma utopia. Quer dizer, há liberdade de expressão, ninguém nos dá um tiro ou nos manda para a prisão simplesmente por expressarmos a nossa opinião, dentro dos limites do bom senso, claro, mas há umas repercussões mais diretas do que outras.

Ora, se há profissão onde essa tal liberdade de expressão é mais dúbia é precisamente o jornalismo, como muito bem sabemos. É certo que há órgãos de comunicação social que levam essa liberdade de expressão para além dos tais limites do bom senso, por vezes ultrapassando até os limites legais e do código deontológico, mas fazem-no porque sabem que isso, infelizmente, é rentável, que são as notícias que nascem dessa postura que mais vendem, que mais hits geram nos sítios de internet. Depois, levam com uma repreensão, com uma palmada no rabiosque, com uma multa, com uma ordem de restrição, mas até essa punição – justa, na maior parte das vezes – serve de notícia, para vender jornais, para ter mais gostos no Facebook.

Quem leva estas coisas da ética e do bom senso mais a sério tem, no entanto, dores de cabeça acrescidas, porque a censura já não existe, supostamente, mas há muitas maneiras de punir um jornalista, ou um órgão de comunicação social, por aquilo que aparece escrito ou por ter sido dito por esta pessoa e não por aquela. E, sabendo bem que essa é a triste realidade em Portugal, um jornalista dá por ele a pensar, mesmo que inconscientemente, “será que fica bem escrever «capelinhas» nesta reportagem” ou “será que fica mal aquele senhor falar em «tachos» naquela entrevista”. Ao mesmo tempo, o diretor lá vai pensando, também, “será que aquele senhor não leva a mal por termos entrevistado este fulano em vez dele”, “será que esta peça, por muito interessante que seja, não vai dar muitas dores de cabeça”.

Imagine-se, agora, quando o jornalista até é o diretor, são pensamentos e dores de cabeça a dobrar, a atormentá-lo, a dar-lhe cabo da paz e sossego, do prazer de escrever. Porque, na hora da verdade, goste-se ou não, a liberdade de expressão ainda é uma utopia e convém que a formiguinha não chateie muito, pois é logo esmagada por algum elefante do sistema.

Daniel Pina

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