Calcinha para baixo, rabinho para cima, faça favor de se servir!

en125

Há coisas que é preciso ter paciência de santo para aguentar, outras coisas, acho que nem os próprios santos teriam paciência para as aturar e eu, confesso, de santo pouco ou nada tenho, e o que me falta em santo sobra-me em rabugice. E esta semana esgotou-se por completo a pouca paciência que ainda me sobrava para lidar com esta pouca-vergonha, para não falar em incompetência e falta de respeito pelos outros, que se tem passado com as obras da EN 125.

A tampa começou a saltar-me na quarta-feira. Com uma reportagem marcada para as 14h em Albufeira, abalei de Almancil com mais de uma hora de antecedência e fiz-me à EN 125 e, por incrível que pareça, cheguei ao meu destino em coisa de 20 minutos. Trânsito a circular com perfeita normalidade, nada de semáforos na berma da estrada a empatar quem tem horários para cumprir, provavelmente deviam estar os senhores engenheiros e técnicos e arquitetos a almoçar confortavelmente.

De regresso a Almancil, pelas 16h30, confiei na sorte e meti-me outra vez na EN 125. Mas a sorte, desta vez, não quis nada comigo, nem com outras centenas de condutores, e dessa vez levei mais de uma hora para percorrer a mesma distância. Provavelmente os tais senhores engenheiros e técnicos e arquitetos terminaram o almoço com ideias de infernizar outra vez a vida dos algarvios, e turistas, e toca a acender os famigerados semáforos de circulação alternada. E eu, parado quase uma hora numa reta da EN 125, a pensar para os meus botões que raio de planeamento de obras é este, que se lembram de alterar por completo o trânsito de um momento para o outro, sem qualquer aviso, sem que ninguém saiba, com um mínimo de antecedência, o que se vai passar no espaço de poucas horas.

Sexta-feira, outra machadada na minha paciência, que já definhava. De manhã, notícias a dizer que tinha sido aprovada a redução de portagens na Via do Infante. O blablabla do costume do «Prometemos! Cumprimos!». Estranhei! Duvidei! Depois, afinal, o que tinha sido aprovado era uma iniciativa do Partido Socialista para propor a redução do valor das portagens. E isto porque, entretanto, tinha sido rejeitada uma proposta para a abolição das ditas portagens.

Como já devem ter reparado ao longo destes anos, não tenho propriamente uma cor política. Tenho conhecidos e amigos em todos os partidos. Desculpem-me lá o desabafo, se calhar vocês até são a exceção à regra. Mas a regra é que, na minha rabugenta opinião, os políticos são todos iguais. Durante as campanhas eleitorais, prometem isto e aquilo e, quando chegam ao poder, afinal o que prometeram não é praticável, não é possível de concretizar neste momento, blablabla… Quem promete uma coisa quando está na oposição, faz outra quando está no poder, estranho fenómeno a que, infelizmente, já estamos todos habituados.

Portanto, esta coisa de andarem a atacar-se uns aos outros porque uns queriam abolir as portagens e os outros é que não quiserem, ou não deixaram, é jogar areia para os olhos dos contribuintes. Assim como o parlamento aprovar uma proposta do partido que está no poder, a sugerir que o partido que está no poder faça isto ou aquilo, é jogar areia para os nossos olhos. Porque, mesmo que a intenção seja honesta, entre avançarem ou não avançarem ideias ou propostas ou sugestões, vai o parlamento de férias e nada se decide antes de acabar o Verão.

E foi já sem paciência nenhuma que me acudisse que fico a saber, logo de manhã deste sábado, que a EN125 entre a Maritenda e as Fontainhas vai ser cortada segunda-feira e até 15 de Julho. Coisa pouca, mais de dois meses, não dois meses no tranquilo Inverno, mas no sufoco do Verão. São quase 10 quilómetros de uma das zonas mais movimentadas da EN 125, onde todos os dias passam milhares de algarvios a caminho do trabalho, ou no exercício da sua profissão, sem esquecer os turistas, que vão desaparecer no mapa, obrigando-nos todos a regressar ao passado, a andar aos ziguezagues pelas velhinhas estradas municipais. Aquelas em que os nossos pais e avós andavam de lambreta, ou de burro, para ir visitar as namoradas à aldeia vizinha, ou para ir ao mercado de outra cidade, ou para ir para os terrenos plantar laranjas, batatas e sei lá o quê.

Pior do que isso é que, mais uma vez, ninguém é informado de nada, é tudo decidido pela socapa para que não salte a tampa aos simpáticos algarvios. De modos que, na segunda-feira de manhã, vai uma pessoa tranquilamente para o trabalho pela EN 125 e, de repente, começa a apanhar com aqueles agradáveis sinais amarelos de «Desvio» a mandar-nos ir para a esquerda e direita, por quilómetros a fio, por estradas sem quaisquer condições para receber um afluxo de viaturas não sei quantas vezes superior ao normal, até chegarmos ao nosso destino, atrasados, claro. Isto se o nosso destino não estiver precisamente nos tais 10 quilómetros da EN 125 que vão fechar durante dois meses.

Dois meses em que, ou muito me engano, ou teremos uma rotina igual ou pior a quem vive na margem sul de Lisboa e tem que ir todos os dias trabalhar para a capital. Dois meses em que teremos que sair mais cedo de casa para chegar a tempo ao trabalho e em que vamos chegar a casa atrasados para o jantar. Dois meses em que iremos afugentar milhares de turistas por causa da confusão do trânsito. Portanto, desculpem-me lá a rabugice, meus amigos políticos, não levem isto para o lado pessoal, mas vocês são todos iguais…

Daniel Pina

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