Quando o povo grita, os poderosos balançam…

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O Algarve hoje, sábado, 14 de maio, está em alta na comunicação social, por ocasião da vinda do Primeiro-Ministro António Costa para inaugurar o Passeio das Dunas, um espaço urbano requalificado que veio substituir, e bem, um antigo bairro degradado que separava Quarteira de Vilamoura. Como seria de esperar, os vários canais de televisão marcaram presença em peso, assim como os principais jornais e rádios nacionais, para além da imprensa regional, já habituada a este aparato mediático sempre que o Verão se começa a aproximar.

António Costa apareceu sorridente, sem gravata, cumprimentou, foi cumprimentado, deu e recebeu beijinhos, dos camaradas socialistas e da população local. Do lado do PSD não vi ninguém, apesar de estarmos perante a inauguração de uma obra importante para o maior concelho do Algarve, um investimento na ordem dos quatro milhões de euros que vai tornar ainda mais atrativa toda a zona de Quarteira e Vilamoura. Diria o bom senso que o maior partido da oposição, designadamente os homens e mulheres do PSD/Algarve, não colocassem as cores partidárias acima dos interesses da região, mas sabemos todos bem como as coisas funcionam na política.

De Quarteira, António Costa seguiu para Loulé para apresentar a Moção de Estratégia «Cumprir a alternativa, Consolidar a esperança», agora não como Primeiro-Ministro mas como Secretário-Geral do PS. Não fui, mas teve à sua espera três manifestações, uma contra a exploração de hidrocarbonetos e gás natural no Algarve, outra contra a demolição de casas nas Ilhas Barreiras, outra contra as portagens. Não fui, mas quase que adivinho que aí já estariam alguns políticos do lado da oposição, a defender fervorosamente os interesses superiores da região algarvia.

Se foram, acho muito bem que o tenham feito, pois há que defender os interesses da população ao lado da população, não em gabinetes com ar condicionado, a mandar notas de imprensa para os órgãos de comunicação social, ou a atirar-se aos governantes nas redes sociais. Mas também deviam marcar presença na inauguração de projetos importantes para essas mesmas populações. Atacar um governante, seja de que partido for, pelas más decisões que ele toma, ou pelas que foram tomadas pelos seus antecessores, e fechar os olhos às boas decisões que o mesmo governante toma, é pura hipocrisia, é ver só o que lhe interessa, é aparecer só quando lhe dá mais jeito, e não quando convém às populações.

Mas nós sabemos como funcionam essas coisas da política, de tal maneira que já nem vamos votar como antigamente, nem vamos às concentrações com o mesmo vigor de outros tempos, nem reclamamos tão alto como deveria ser. Contudo, quando o povo se junta e grita alto, os poderosos tremem, balançam, são obrigados a reverter as suas decisões. Veja-se o que aconteceu na semana passada, quando se soube que iam cortar a EN 125 ao longo de 10 quilómetros e durante dois meses. Uma decisão que tornaria a vida dos algarvios num verdadeiro inferno. Que comprometeria o negócio de imensas empresas. Que deixaria uma imagem terrível junto dos turistas.

Por isso, os algarvios refilaram e disseram de sua justiça nas redes sociais e junto dos governantes a que conseguiram jogar a mão. Os jornalistas colocaram de lado, por breves instantes, a imparcialidade e escreveram artigos de opinião, disseram também de sua justiça, porque também são cidadãos. Os autarcas passaram o fim-de-semana em reuniões de emergência, não deram sossego ao poder central, deram um valente murro na mesa. Resultado: os poderosos voltaram atrás na sua decisão.

Pena é que os algarvios não tenham sido assim tão aguerridos noutras situações, com a introdução de portagens na Via do Infante, a subida do IVA na Restauração, o atraso das obras da EN 125, a concessão de contratos de exploração de petróleo ao largo da costa algarvia. Se assim o tivessem feito, se calhar não andávamos agora todos a chorar sobre leite derramado. Aliás, até o Primeiro-Ministro afirmou hoje, a plena voz, que defender o meio ambiente no Algarve é defender o futuro da própria região.

Daniel Pina

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