Inspira…expira…abranda…aproveita a vida

Fuseta Ria
Hoje acordei bem-disposto. Já me tinha deitado de sorriso nos lábios apesar do cansaço, depois de mais uma noite de trabalho em Loulé, na apresentação do Festival MED. Mas fui dormir de consciência tranquila. E acordei com os índices de rabugice em valores bem abaixo do normal, apesar de ter mais um dia de trabalho pela frente.

É verdade que o Sporting não ganhou o campeonato. É verdade que, na quinta-feira à noite, no Casino de Vilamoura, fui eliminado na reta final de um torneio de poker porque o meu par de ases perdeu para um par de reis na última carta a ser virada na mesa.

Mas a vida familiar vai de vento em popa, mais de uma década de casamento feliz. A filhota mais velha, seis anos, já vai entrar para a primária a seguir ao Verão, todos os dias põe-se a escrevinhar palavras novas, até já assinou o nome no Cartão de Cidadão. A filhota mais nova, a caminho dos três, cada vez está mais reguila, desconfio que vai ser rabugenta como o pai, e com cada conversa filosófica que me deixa às vezes parvo.

A vida profissional, que é como quem diz, o Algarve Informativo, também vai de vento em popa, muito graças aos leitores assíduos, aos anunciantes, aos cronistas, a todos aqueles que têm ajudado esta minha «loucura» a tornar-se um projeto viável e sustentável. E já devem ter reparado que é um projeto jornalístico diferente dos outros. Não publico notícias de teor negativo. Não estou com isso a criticar a imprensa que vive à conta dos acidentes, das mortes, dos escândalos amorosos, dos casos de corrupção, das falcatruas. Admito que há jornais e canais televisivos excelentes na arte de deixar as pessoas deprimidas, à beira de um estado de nervo, sem qualquer vontade de sair de casa.

Por isso, desde logo me foquei nas notícias de caráter positivo, que promovam o melhor que acontece no Algarve. Faço entrevistas e reportagens que tentam contribuir, de algum modo, para deixar as pessoas mais motivadas para sair de casa, para produzir, sorrir e viver. Ou seja, não é o caminho mais rápido e fácil de um meio de comunicação social, neste caso um blogue noticioso e uma revista semanal, se tornar famoso, de atingir milhares de visualizações.

Mantive-me fiel ao caminho que escolhi e os resultados estão a aparecer. Já vários números da Revista Algarve Informativo têm mais de 10 mil leituras, o que é tremendo para uma meio regional que não pertence a nenhum grupo de media, que não faz publicidade à sua marca, que apenas tem histórias positivas nas suas páginas. E o blogue registou, nos últimos quatro, cinco meses, mais visualizações do que nos 18 meses anteriores, tendo ultrapassado já as 100 mil visualizações por mês.

Uma simples notícia contribuiu em particular para essas estatísticas, só ela está próxima das 50 mil visualizações à hora que escrevo esta crónica, uma notícia publicada há menos de 24 horas e que não fala de acidentes, mortes, falcatruas, corrupções. E isso demonstra que as pessoas estão, de facto, interessadas em notícias positivas, motivantes, às vezes até preferiam não saber metade das coisas más que acontecem, que lhes enfiam pelos ouvidos e olhos adentro todos os dias, desde que acordam até que se deitam.

Por isso, deitei-me bem-disposto e acordei sorridente. Porque, quando uma pessoa passa os dias a divulgar notícias positivas, a contar histórias de vida motivantes, a fazer reportagens de acontecimentos agradáveis, é natural que o espírito ande mais desanuviado, que estejamos mais alegres. Inspiramos e expiramos de maneira diferente, sem tanto stress na cabeça, com o ritmo cardíaco menos acelerado. Aproveitamos as belezas naturais do Algarve. A tal luz de que os artistas estão sempre a falar. A qualidade de vida a que nem sempre damos o merecido valor.

Damo-nos ao luxo de esperarmos pela próxima entrevista ou reportagem, sentados tranquilamente à beira-mar, ou no meio da serra, a apreciar o sol no rosto, a ouvir os pássaros na sua azáfama. Vamos buscar as filhas mais cedo ao infantário, damos umas voltas com elas no jardim, vemos as novas versões do Noddy, Heidi e Abelha Maia com elas. Vemos um filme com a mulher à noite, depois das miúdas estarem a dormir.

No dia seguinte, vamos todos à praia, até à Primark que as mulheres tanto adoram, com o pretexto de que é preciso comprar mais roupa para as gaiatas. Mas fazemos isso tudo com sorriso nos lábios, porque a vida é mais feliz quando abrandamos o ritmo e aproveitamos o dia-a-dia ao máximo. Por isso, obrigado a todos os que colaboram e seguem o Algarve Informativo, sem vocês, nada disto seria possível. E desculpem-me lá estar a falar destas coisas sem grande interesse jornalístico, mas hoje estou, de facto, com a minha rabugice em mínimos históricos.

Daniel Pina

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