Já se faz campanha para as Autárquicas 2017 … e vale mesmo tudo…

autárquicas-2013
Escrevo a minha crónica habitual para a Revista Algarve Informativo com a perfeita convicção de que vou apanhar com mais críticas dos eternos defensores da liberdade de expressão – da qual eu sou, também, um eterno defensor – e dos fervorosos adeptos da transparência política – da qual eu também sou, claro, apologista. Assim, valendo-me dessa tal liberdade de expressão, da qual sou defensor, mas não ao ponto de que se diga tudo o que nos apetece sem pensar nas consequências e nos prejuízos que se venham a causar aos outros, vou também despejar para aqui o que me vai na cabeça quando olho para a pré-pré-pré-campanha eleitoral das Autárquicas de 2017 no Algarve.

Não, não cometi nenhuma gaffe, nem me enganei nas datas, é realmente verdade. Ainda falta mais de um ano para as próximas eleições para o poder local, mas diversas concelhias do Algarve já andam no terreno a fazer o seu trabalho e, desculpem-me lá o desabafo, não como jornalista, mas como cidadão e eleitor, não estou a gostar nada do que se tem passado nos últimos meses. Concordo plenamente com a liberdade de expressão, transparência política é muito boa e saudável para a vida democrática, mas o que tenho assistido é, em alguns casos, política suja, feia, negativa, criticar simplesmente por criticar, criar factos políticos onde eles não existem.

Se isto se passa a tanta distância das eleições, nem quero imaginar o que nos espera em 2017, mas prevejo uma campanha bastante feia em alguns concelhos. E, verdade seja dita, temos de tudo um pouco do sotavento ao barlavento:

– Temos casos onde o atual presidente, não se podendo recandidatar a novo mandato, já é mais o tempo que passa fora do Algarve no desempenho de cargos noutras associações ou entidades, do que no seu concelho, e nem houve uma preocupação séria de se preparar atempadamente uma sucessão natural;

– Temos casos em que um partido perdeu a câmara municipal por modernices americanizadas do líder da concelhia, o que originou que não tivesse ido a votos o candidato mais correto, e que agora vai fazer das tripas coração para tentar reconquistar o poder;

– Temos casos em que a oposição não passa uma semana sem enviar comunicados a criticar esta ou aquela decisão, ou não decisão, do atual presidente de câmara, mesmo quando não existem motivos válidos para tais táticas;

– Temos casos em que um partido manteve a câmara municipal mas, pelos vistos, alguns militantes acham que deviam ter sido eles o candidato e não se cansam de fazer a vida negra ao atual presidente, que até é da mesma cor política;

– Temos casos em que o próprio partido do atual presidente de câmara lhe retirou a confiança política e em que faz mais oposição ao edil do que os partidos da oposição;

Enfim, acho que já deu para perceber o que vai acontecendo nos bastidores da política algarvia. Mas também já deu para perceber mais duas coisas. A primeira é que, na maior parte destas situações, a população está ao lado do atual presidente da câmara municipal e do seu executivo, comprovando que, no que diz respeito ao poder local, as pessoas não ligam em demasia às cores políticas, mas sim ao trabalho que efetivamente é realizado por quem foi eleito para liderar um concelho. A segunda é que, infelizmente, muito deste trabalho «sujo», perdão, de combate político, está a ser realizado pela chamada «carne para canhão», ou seja, políticos em início de carreira que, de repente, foram eleitos presidentes de concelhia porque os figurões, os políticos mais experientes, decidiram fazer um interregno na sua atividade, tirar umas férias, dar uma oportunidade aos mais novos.

Não estou com isto a dizer que alguns destes novos líderes de concelhia não tenham valor ou qualidade, o futuro pertence às novas gerações e de dinossauros da política estamos todos nós fartos. O problema é que alguns deles não têm qualquer experiência prática na política, nunca desempenharam cargos de direção, nunca estiveram em executivos camarários, nem sequer como vereadores da oposição, portanto, muito dificilmente vão recolher a preferência dos eleitores quando forem a votos. Aliás, não é de admirar que esses novos líderes surjam em concelhos onde, previsivelmente, os atuais presidentes de câmara vão ser reeleitos nas Autárquicas de 2017.

Ora, como os verdadeiros aspirantes a presidentes de câmara não querem sofrer uma derrota pesada em 2017, optaram por tirar uma licença sabática e passar a bola aos mais novos. Estes, erguem com vigor os punhos para desgastar politicamente os atuais autarcas, na melhor das hipóteses vão tentar conquistar mais algum vereador para o lado da oposição mas, no momento da verdade, serão, muito provavelmente, derrotados. Depois do trabalho «sujo» ter sido feito, e das contas estarem mais equilibradas, lá regressam ao ativo os pesos pesados para atacar em força nas Autárquicas de 2021 e a «carne para canhão» entretanto foi mastigada e jogada para o lado.

Parece ridículo, no mínimo estranho, estar a pensar no que vai acontecer, ou não, daqui a cinco anos, porém, quem acompanha a vida política há algum tempo sabe bem como estas coisas funcionam e até já viu isto acontecer diversas vezes. Felizmente, o cidadão normal, o Zé Povinho, também já percebeu como funcionam os meandros da política e não vai nestas cantigas. Vota em quem tem trabalho feito, não em quem fala melhor, é mais bonito ou veste roupa mais na moda. Mas que vamos ter uma campanha quente, para não dizer outra vez feia, no próximo ano, lá isso vamos…

Daniel Pina

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