Recordar quando éramos os maiores…

diadeportugal
Mais um 10 de junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Os vários canais de televisão em direto do Terreiro do Paço para acompanhar o desfile das forças armadas perante os nossos digníssimos governantes. Lá ao fundo, bem para o fundo, os populares a tentar ver o que se passa e a tentarem ser vistos por quem nos governa, por quem dita o nosso futuro, o que podemos e devemos fazer, no dia-a-dia.

Aqui por casa, feriado, filhotas a correr dum lado para o outro, não há escola para ninguém, portanto, não há sossego para escritos demasiado sérios. Não me importo, convém dar descanso aos críticos. Não se pode estar sempre a escrever crónicas que colhem a aprovação de uns, mas pisam os calos a outros. Os mesmos que se aproveitam das redes sociais para despejar, sem qualquer filtro, o que lhes vai na cabeça, umas vezes de forma, digamos que, «inocente», outras vezes com objetivos claros a alcançar, com alvos concretos a atingir.

Portanto, esta semana dou descanso a quem gosta de usar da má-língua como arma de arremesso, mas tem ouvidos sensíveis e não gosta de ouvir, neste caso ler, o que não lhes interessa ou vai contra os seus intuitos. E, por isso, deixo-me levar pela essência deste Dia de Portugal e recordo quando éramos os maiores. Não os maiores aqui da rua ou do bairro, como muitos gostam de se imaginar para encher o ego, mas os maiores do mundo.

Infelizmente, temos que fazer um grande esforço de memória para nos recordarmos dessa época, não de a presenciarmos, claro, mas de nos lembrarmos do que aprendemos nos livros de história quando andávamos nos primeiros ciclos da escola. Ou do que imaginamos quando lemos os Lusíadas de Camões. Descobrimos meio mundo. Fomos para lá do que era conhecido, sem medo da aventura, nem dos perigos. Dobramos cabos outrora intransponíveis, alcançamos terras inimagináveis, colhemos riquezas para lá do que poderíamos alguma vez ter sonhado.

Éramos os maiores. Depois, deixamos de ser. É a eterna questão do «adormecer à sombra da bananeira». Fiámo-nos na Virgem, no nosso poderio militar, em terra e no mar. Ombreávamos lado a lado com os espanhóis e esquecemo-nos que havia outros países com aspirações a ter os seus próprios impérios. Amolecemos, acreditamos que nada ia mudar, que tínhamos tudo na mão, fomos ultrapassados. Deixamos de ser os maiores. E ficamos com isso atravessado na garganta e com esse trauma no pensamento.

Apareceu a saudade, esse termo que não existe noutras línguas. Nasceu o fado para desabafarmos, para nos lamentarmos, para andarmos num eterno saudosismo, a despejar as nossas mágoas sob a forma de uma canção que se tornou Património Imaterial da Humanidade. Temos muitos desses, Patrimónios da Humanidade, uns imateriais, outros materiais. Mas perdemos, de certa forma, o espírito da aventura, começamos a recear o desconhecido, a abanar ao primeiro solavanco. Descobrimos a nossa zona de conforto e tudo fazemos para dela não sair, com medo da mudança.

Felizmente, há toda uma nova geração de empreendedores, de jovens que não têm esse medo de arriscar, de se aventurarem, munidos das redes sociais, das novas tecnologias, de informação e comunicação, criaram produtos, negócios, setores de atividade. Infelizmente, ainda são poucos, mas esses poucos são, realmente, muito bons, vencedores para qualquer parte do mundo que vão, e é nesses também que devemos pensar no Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Não pensar apenas nas glórias do passado, não apenas recordar os nossos feitos de quando éramos os maiores, mas de homenagear aqueles que tentam fazer a sua parte para, quem sabe, voltarmos a estar entre a elite…

Daniel Pina

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