Caramba, eles são mesmo bons !!!

conservatorio musica olhao
Isto agora anda de modas e todas as semanas salta uma palavra, um termo, uma expressão para a ribalta, algo dito por uma personalidade, uma figura pública, um governante, que soa bem, que fica no ouvido e, de um momento para o outro, passamos os dias a ouvir toda a gente a dizer a mesma coisa, a utilizar essa palavra, esse termo, essa expressão.

Há uns tempos descobriu-se o «empreendedorismo», que passou a constar do vocabulário obrigatório de qualquer governante ou dirigente associativo que se preze. Mais recentemente apareceu o «resiliência», mais difícil de pronunciar e, acredito, muitas pessoas que o aplicam se calhar nem sabem bem o que quer dizer, mas está na moda, portanto, é dizer sem contenção, porque fica bem. De há uns tempos para cá, a malta do turismo descobriu o «experiências», porque não basta ter bons produtos e serviços para vender, é preciso oferecer «experiências» aos turistas.

Nas redes sociais, na imprensa diária, nas conversas do dia-a-dia, temos agora a moda do «arrepiante», excelente para se reforçar o impacto de um momento ou acontecimento, de uma imagem, som ou vídeo, para que ninguém fique indiferente. Eu, como não sou de modas e, às vezes, até gosto de ir contra a corrente, sou mais contido na utilização de determinados termos. No entanto, quando há uns dias publiquei um vídeo no Facebook com um excerto do concerto de final de ano letivo do Conservatório de Música de Olhão, no Auditório Municipal de Olhão, não hesitei em descrevê-lo como «arrepiante».

Não hesitei porque, de facto, fiquei arrepiado, no bom sentido, com a qualidade do que vi e, sobretudo, do que ouvi. Aliás, sempre que revejo o vídeo e ouço o coro e a orquestra do Conservatório de Música de Olhão, fico com os pelos dos braços eriçados. Deve ser o que os gurus do turismo querem dizer quando falam das tais «experiências», das sensações que se infiltram no nosso inconsciente e ali permanecem por muito tempo. E com que belas memórias, com que sentimento de orgulho, com que regozijo devem ter ficado os familiares dos jovens alunos do Conservatório de Música de Olhão que esgotaram por completo a principal sala de espetáculos do concelho de Olhão, e uma das principais de todo o Algarve.

Uma satisfação e orgulho que se estende, obviamente, a todos os professores daquela escola de ensino artístico, conforme me tinha apercebido uns dias antes quando estive à conversa com o Presidente da Direção Rui Gonçalves e com a Diretora Pedagógica Anabela Silva. Sem falsas modéstias, sem manias de grandiosidade, disseram que os seus alunos eram, realmente, bons, dos melhores que existem em Portugal. Apesar disso, não estava preparado para o que encontrei, uma qualidade tremenda, tanto das dezenas de elementos da orquestra, como das dezenas de membros do coro, uns ainda crianças, outros já adolescentes, demonstrando que o ensino artístico está de excelente saúde em Portugal, apesar de todos os cortes orçamentais e das dificuldades do dia-a-dia.

Infelizmente, dos mais de 100 alunos que estiveram em palco naquela noite, apenas alguns conseguirão concretizar o sonho de serem músicos ou coralistas profissionais. A grande maioria deles ficarão pelo caminho, acabarão por escolher um curso tradicional quando for altura de rumarem ao ensino superior. Não por terem menos qualidade ou por serem menos «resilientes» do que os colegas que tentarão a sua sorte numa escola superior de música, mas porque o ensino artístico é bastante dispendioso, pelo valor das propinas e, no caso da música, também pelo elevado custo dos instrumentos.

E, na hora da verdade, Portugal não é um país que trata bem os seus músicos. Há poucas orquestras em atividade e algumas até preferem ter músicos estrangeiros nas suas fileiras do que apostar na prata da casa. Espetáculos também são poucos para orquestras ou para formações mais reduzidas e nem todos os jovens estão dispostos a deixar a sua nação à procura de mais oportunidades no estrangeiro. Assim, embora os alunos do Conservatório de Música de Olhão sejam fantásticos, nem todos terão hipótese de fazer o que mais gostam quando atingirem a idade adulta. O que é uma pena porque, caramba, eles são mesmo bons!!!

Daniel Pina

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