Chegaram os 30 dias infernais

praias cheias
Começou a roda-viva para os jornalistas algarvios, sem mãos a medir para acudir a tantas solicitações, umas com interesse jornalístico, outras apenas para piscar o olho aos milhares de turistas que já vão enchendo o Algarve do barlavento ao sotavento e que, bem espremidas, pouco ou nenhum interesse jornalístico têm. Não que isso impeça os promotores ou organizadores dos ditos eventos de nos massacrarem o juízo, porque lá vai estar atriz de novela, ou aquele modelo, ou aquela figura pública que apareceu, há não sei quantos anos, num reality-show qualquer.

Nós bem explicamos que há coisas que só interessam às revistas cor-de-rosa, e essas não temos cá no Algarve, mas eles insistem, dizem que vai ser uma noite divertida, que podemos beber uns copos e curtir a música, ainda por cima à borla. Tudo porreiro quando temos 20 e poucos anos e nenhumas preocupações na cabeça, bem diferente quando somos quarentões, com mulher e filhas em casa à nossa espera e com prazos para cumprir. Mas eles continuam a insistir, chegam mesmo a perguntar quanto custa para fazermos a reportagem, com medo que não saia nada na imprensa sobre os eventos e depois ficam mal vistos junto dos patrocinadores e parceiros.

É o tal mês da confusão total, que arranca em meados de julho e termina em meados de agosto. Já nem sequer temos dois meses para alegrar os empresários, os proprietários de bares, restaurantes e discotecas. As aulas dos miúdos acabam tarde e este ano começam logo no início de setembro, portanto, pouco tempo há para as famílias se desligarem das obrigações do quotidiano e desfrutarem das merecidas férias no Algarve.

Não há tempo e, claro, não há dinheiro, porque continuamos todos na corda-bamba, sem saber bem o que isto vai dar. Segurança no emprego não é total e nunca temos a certeza se, quando chegarmos de férias, a empresa ainda lá está à nossa espera. As ameaças de sanções da União Europeia são outra dor-de-cabeça, com os portugueses a temerem mais austeridade a caminho, depois do governo de António Costa ter dado – será que deu mesmo? – alguma folga à corda com que andamos no pescoço há uns anos. Ainda por cima, grande parte das famílias ainda não recebeu o reembolso do IRS que, provavelmente, ajudaria a pagar as férias no Algarve.

Apesar disso, ninguém tem dúvidas de que o Algarve está mais movimentado nestes dias, com a primeira fornada de turistas nacionais a juntarem-se aos já muitos milhares de estrangeiros que enchem as nossas praias e as esplanadas dos restaurantes e bares. E que entopem a EN 125. Uma rua que, apesar das promessas das entidades responsáveis, continua em obras, como se já não bastassem as habituais manobras estranhas com que os nossos visitantes nos brindam no dia-a-dia.

Está uma barraca a vender fruta na berma da estrada, vai de travar e estacionar. Chegam a uma rotunda nova, toca a abrandar de repente para descobrir para onde têm que ir. Mudam de ideias assim do nada, é fazer inversão de marcha em plena EN 125. Têm medo que as praias fechem, siga de ultrapassar carros à maluca, sem qualquer respeito pelas regras de segurança. Enfim, é o sufoco a que os algarvios estão habituados, com a agravante de nós próprios nos depararmos com constantes surpresas na estrada à medida que as obras vão avançando.

Mas continua a ser o «nosso» Algarve e, apesar de ser lisboeta de nascença e ter vivido na capital até terminar o curso universitário, hoje sou mais um algarvio marafado que não hesita em chamar uns valentes nomes aos lisboetas apressados e aos estrangeiros distraídos. Com a vantagem que, atualmente, não tenho que andar a correr atrás dos tais eventos mediáticos de interesse jornalístico dúbio para aturar com pseudo personalidades e gente com tiques de vedeta.

Aliás, tive uma semana em cheio, com o que de melhor o Algarve tem para oferecer, e sem nada de stresses. Um workshop de guitarra portuguesa com jovens de sorriso nos lábios a mostrar os seus dotes; uma gala com os profissionais do turismo algarvio organizada pela EC Travel; uma visita à concentração de motos de Faro; e um passeio inesquecível ao largo da costa com golfinhos por companhia. Assim se esfumaça o stress das viagens pela EN 125 e se acalmam os nervos que alguns turistas nos causam e com a certeza de que este Algarve acontece todo o ano e não apenas durante os 30 dias do pico do Verão.

Daniel Pina

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