As tias, as bichas e as meninas da 125!

engarrafamentoGanhamos o Europeu de futebol, mais uma carrada de medalhas noutras modalidades, escapamos às sanções da União Europeia, saiu-nos o euromilhões dos 15 por cento de desconto nas portagens do Via do Infante e, por isso, o Algarve está cada vez mais cheio de gente. Uns são louros naturais de olhos azuis e sotaque britânico, alemão ou escandinavo, outros louros oxigenados de olhos acastanhados e com sotaque da zona do Estoril, Cascais e Sintra, misturados com alguns simpáticos bimbos do norte e uns tantos espanhóis de língua acelerada e franceses com grande galo por terem perdido o Euro.

Muitos portugueses rumaram então ao sul para um merecido descanso, deles, não dos algarvios, mas parece que, para variar, deixaram as carteiras em casa, também para o merecido descanso, porque continuam sempre a queixar-se que está tudo caro. Se calhar por isso vai a malta toda a correr para os Modelos e Continentes, depois de andarem o ano inteiro a acumular saldo nos cartões para agora descontar à fartazana.

Com todo este movimento, lá voltamos a apanhar com as críticas ferozes de que, na terra deles, é-se logo atendido nas caixas dos supermercados, que é uma pouca-vergonha ter tão poucas caixeiras de serviço, ou tão poucos empregados na peixaria e no talho, como se a praia fosse fugir ou a piscina do bloco de apartamentos mudasse de sítio durante a sua ausência. Praias onde as velhotas e as «tias» continuam a deixar os guarda-sóis espetados na areia de um dia para o outro e coitado do herege que se atrever a pousar a toalha dentro do seu raio de ação, porque aquele bocado de areia já tem dono.

Mas este sentimento de posse das «tias» – que uma pessoa percebe logo onde estão pelos gritos com que falam com as amigas ao telefone – nota-se inclusive nas filas do supermercado, como já me aconteceu por diversas vezes. De facto, ainda o cliente à minha frente está a ser atendido, já as «tias» apressadas começam a despejar os carrinhos de compras para a passadeira, quase soterrando os meus produtos, e empilham, empilham e empilham.

Coitadas, com quem elas se foram meter, logo eu que não perco uma oportunidade para descarregar nessa malta que, quando atravessa a fronteira do Alentejo para o Algarve, parece que reencarnam no Rei de Espanha, na Rainha de Inglaterra ou no Príncipe do Mónaco. Ou, então, quando se deparam com o Castelo de Paderne, pensam que o Algarve ainda está cheio de mouros.

– “Olhe que eu não sou tão gordo como a senhora, mas ainda ocupo algum espaço”, mando eu sem meias palavras.

– “Não precisa ficar nervoso, eu não toquei nas suas coisas”, lá responde a «tia», ainda a decidir se eu a chamei gorda ou não.

– “Oh minha senhora, se eu me enervasse de cada vez que apanho com cromos, passava metade do Verão aos estalos e aos pontapés”.

Mas, como zona turística que somos, já estamos habituados a lidar com estas situações algumas semanas por ano e até são uma boa fonte de entretenimento, mais barato, inclusive, do que uma ida ao cinema ou ao teatro de revista. E como não conseguimos acabar com a porcaria das portagens na Via do Infante, bichas não faltam na EN 125, a tal ruela que atravessa vilas e cidades, com dezenas de rotundas, semáforos e cruzamentos manhosos que, de tantos em tantos quilómetros, nos brinda com filas enormes de trânsito.

São os camiões, as carrinhas, as camionetas e os autocarros que não se conseguem ultrapassar em lado nenhum, pelo menos em segurança; são os velhos a 50km/h a apreciar a vista; são as autocaravanas dos estrangeiros que, de repente, guinam para as bermas porque os bifes querem ir comprar laranjas; são os táxis e carrinhas dos transfers num verdadeiro rali em direção ao Aeroporto de Faro.

No meio deste safari lá vou eu tranquilamente porque, casado e com duas filhotas, não estou disposto a arriscar a vida só para não me atrasar para uma entrevista. E é nestes constantes para/arranque que me apercebo que, volta e meia, as famosas «meninas da 125» desaparecem de vista, o que me levanta sempre as mesmas questões: Estarão elas com algum cliente? Terão sido apanhadas em flagrante pelas autoridades quando estavam a desempenhar a sua atividade de profissional liberal? Estarão com o período? Depois, no trajeto de regresso, lá as vejo com os seus tiques característicos, umas a ajeitar as mamas dentro dos soutiens, outras a retocar a maquilhagem, outras a meter as nádegas para dentro dos calções diminutos.

Enfim, é o agosto algarvio!

Daniel Pina

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