Sungas, celulite rebelde e maminhas ao léu

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Depois de alguns dias a visitar várias praias algarvias, já dei umas valentes risadas com a malta que invade os nossos areais em agosto e, antes que os lisboetas me voltem a dar cabo da moela, incluo nesse rótulo todos os portugueses, algarvios incluídos. Claro que os algarvios acabam por estar presentes em menor número nesse pacote, porque não há grande tempo para ir à praia em agosto, mas, para não me acusarem de bairrista, decidi metê-los também ao barulho. E também não quero com isto dizer que os turistas são mal vindos ao Algarve, desde que venham para curtir a vida e não para dar cabo da vida a quem está a trabalhar para que eles possam gozar as suas férias.

Para desgraça dos nossos olhos, verifico que a celulite rebelde se implantou de vez em Portugal e não há remédio que a afugente. Acredito até que os especialistas na matéria inventaram essa variedade «rebelde» há alguns anos porque o raio da celulite grita «liberdade» tão alto que me faz lembrar o Mel Gibson no Braveheart, quando os sacanas dos ingleses estão a torturar o líder escocês na praça pública.

Por isso é que muitas senhoras – e não apenas as «tias» de Lisboa e arredores – mal chegam à praia, tratam de telefonar às amigas e vizinhas para saber das novidades, ou melhor, para saber onde elas andam, antes de dizerem em jeito chique que vieram passar uma semana ou duas ao Algarve. Depois, descansadas da vida, lá tiram os lenços que trazem a tapar o fato de banho e deixam a celulite mostrar o seu lado rebelde à vontade. Isto porque o maior pesadelo destas senhoras enrugadas e fora do prazo é encontrarem alguma amiga, principalmente daquelas que estão sempre a deitar abaixo, e elas descobrirem aqueles pneus Michelin que passam o resto do ano escondidos debaixo da roupa.

Mas, como vivemos numa alegre democracia, a cabrona da celulite já afeta mulheres de todas as idades, até as mais jovens, e lá apanhamos com um verdadeiro anticlímax quando elas tiram as calças e revelam um traseiro «T2plus», daqueles que dá para duas ou mais assoalhadas. Ou então o típico traseiro «gelatina», os tais que, quando largam alguma flatulência, passado cinco minutos ainda estão as nádegas a abanar por tudo quanto é lado. Assim, para tristeza da mocidade, são cada vez menos os traseiros «tautau», aqueles em que dá vontade de dar umas palmadas e dizer: “foste uma menina marota, toma lá e não repitas o gracejo”. Para arreliar ainda mais os engatatões de serviço – e aí incluem-se muitos algarvios, para não me chamarem bairrista – quando se encontram esses raros traseiros «tautau», normalmente trazem atrelados um namorado tipo instrutor de musculação, todo bronzeado e cheio de tatuagens de significado enigmático, de tal modo que nem convém dar uma espreitadela.

Nota positiva é que agosto é sinónimo de estrangeiras «prá frentex» adeptas dessa prestigiada modalidade do topless e, mesmo rodeadas de famílias, não são de modas e exibem sem pudor os seus atributos. Claro que, perante este cenário, os diversos membros das famílias reagem de maneira diferente. Os mais pequenos, na sua inocência, olham descaradamente, quiçá a recordar um período não muito longínquo em que bebiam o leite materno diretamente da fonte. As avós, chocadas, criticam os modos destas «desavergonhadas», recordando que, no seu tempo, nem podiam mostrar o joelho. Os homens poem os óculos de sol e vão apreciando a vista à socapa, enquanto fingem que leem a Bola ou o Record. Enquanto isso, as esposas cerram os dentes e empinam o nariz, furibundas, como que a dizer: “olha, olha, que logo à noite não te toca nada”.

Outro fenómeno que se instalou em Portugal há uns anos, e que eu, por muito que tente, não consigo compreender, é a mania dos homens usarem sungas, as tais cuecas elásticas e pretas que os brasileiros catapultaram para a fama. A sério, não percebo qual a piada de usar uma peça de roupa de tecido comichoso, com uma cor que atrai tanto o calor como os nossos governantes atraem escândalos, e de um tamanho tão reduzido que nos sufoca a virilidade, e ainda por cima em público. É que usar sunga envolve riscos que não passa pela cabeça ao comum mortal. Se um gajo anda ali com as miudezas relaxadas, logo alguém manda uma piada maldosa sobre o tamanho diminuto do pacote, das chamadas joias de família. Se um gajo se distrai e olha para as tais bifas de mamas ao léu, logo alguém o chama de tarado por andar na praia com uma ereção.

O ideal para quem usa sunga é ficar ali a meio caminho entre o pirilau de bebé e o mastro de ator porno, mas essa tarefa é tão complicada como os governos controlarem o défice das contas públicas. Aliás, o remédio é o mesmo. Quando o «monstro» aumenta e foge ao controlo, o melhor é pensar em mais medidas de austeridade para aquilo baixar de tamanho e depressa, porque não há ereção que resista a mais impostos e contas para pagar. E que dizer então dos velhotes com barriga à Peter Griffin, do Family Guy, que teimam em usar sungas? É verdade que, na maior parte do tempo, eles não fazem ideia do que se passa abaixo do umbigo, é como se fosse o lado escuro da lua, mas daí a armarem-se em Zezés Camarinhas e meterem conversa com as velhotas da toalha ao lado, é esticar demasiado a corda.

Mas, à semelhança da celulite rebelde, as sungas também vieram para ficar e tornaram-se o uniforme de Verão dos engatatões de serviço nas praias do Algarve, o que sempre garante umas valentes risadas. E ainda se vai passando o tempo no agosto algarvio…

Daniel Pina

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