Desenterraram os esqueletos dos políticos…

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Parou! Alto Lá! Silêncio! De repente, os «Panama Papers», a falência de bancos, o aumento de impostos, as obras paradas porque o governo se atrasou nos pagamentos, tudo isso passou para segundo plano. Tudo por causa de um livro, e ainda dizem que os portugueses perderam os seus hábitos de leitura, que só se preocupam com os jornais desportivos ou com as revistas cor-de-rosa.

Claro que este é um livro especial, muito especial, porque «Eu e os Políticos», de José António Saraiva, vem revelar um conjunto de episódios polémicos, vividos na primeira pessoa pelo autor, com diversos políticos e personalidades que ocupam as páginas da história recente do nosso país. Nomes sonantes como Alberto João Jardim, Álvaro Cunhal, Aníbal Cavaco Silva, António Costa, António Guterres, António Ramalho Eanes, Diogo Freitas do Amaral, Francisco Pinto Balsemão, João Soares, Jorge Sampaio, José Manuel Durão Barroso, José Pacheco Pereira, José Sócrates, Leonor Beleza, Luís Marques Mendes, Manuela Ferreira Leite, Manuel Maria Carrilho, Marcelo Rebelo de Sousa, Mário Soares, Paulo Portas, Pedro Passos Coelho, Pedro Santana Lopes, enfim, uma carrada de nomes que me ocupariam a crónica toda a enumerar.

Para piorar ainda mais a história, pelos vistos nem são episódios polémicos normais, são de cariz amoroso e sexual, conversas, desabafos, inconfidências, feitas ao experiente jornalista que foi diretor do Expresso durante 23 anos, mais nove anos como diretor do Sol. Um percurso que confere total credibilidade aos relatos colocados em livro, muito mais do que se tivesse sido escrito por um qualquer cronista social ou figura do jet-set cor-de-rosa. E, por isso, entende-se o desconforto que se instalou na classe política. Um desconforto que, curiosamente, não se nota quando estão escândalos políticos em cima da mesa, ou negociatas estranhas por debaixo da mesa, ou trafulhices de cariz financeiro.

Nesses casos mais corriqueiros do dia-a-dia por terras de Viriato, os políticos, seja qual for o seu grau de responsabilidade, atual ou no passado, sorriem, assobiam para o lado, mantêm as suas rotinas, escudam-se atrás de advogados pagos a peso de ouro, dão entrevistas aos jornais, rádios e televisões. Queixam-se de quebras do segredo de justiça, mas vão eles próprios para os órgãos de comunicação social espalhar as suas verdades, são uns coitadinhos, inocentes, alvos de campanhas caluniosos com objetivos secundários. Os processos arrastam-se por anos a fio, escrevem uns livros de memórias ou de crónicas pelo meio e, na eventualidade de serem condenados, tiram uma licença sabática da política e vão passar umas férias numa cadeia de luxo.

Ao fim de um punhado de anos, saem das cadeias de sorrisos nos lábios, alguns deles com melhor aspeto do que quando foram presos, com uns quilos a menos, carro de alta cilindrada à espera e, por vezes, um cargo de administrador também à sua espera para compensar as ajudas que deram aos amigos do passado ou simplesmente por não terem arrastado mais ninguém com eles quando foram condenados. Isso tudo é normal e pacífico em Portugal. Passado uns anos, já ninguém se lembra deles porque, entretanto, foram descobertos outros escândalos e os holofotes viraram-se para outros políticos.

Agora, quando se trata de questões do foro amoroso, diga-se sexual, a história é outra. Os políticos não se chateiam por verem a juventude meio-despida nas redes sociais ou por iniciarem a sua vida sexual cada vez mais cedo. Muito menos se incomodam com a pouca vergonha que entra todos os dias nas casas dos portugueses via programas como a «Casa dos Segredos» e afins, com os seus concorrentes desmiolados, eles de músculos avantajados, elas de mamas grandes, que largam barbaridades da boca para fora em sinal aberto e praticam sexo de forma desinibida, umas vezes com um simples lençol a cobrir os corpos, noutras, nem com isso, não vão as audiências descer.

Tudo isso é aceite de forma natural, é o entretenimento do futuro, é a geração do século XXI, são as redes sociais que fazem parte do nosso quotidiano. Contudo, quando alguém se lembra de contar esse lado dos políticos, ainda por cima no papel físico, que não desaparece no espaço sideral, é o descalabro total. Como se os portugueses não tivessem problemas mais importantes com que se preocupar do que quantas amantes ou filhos ilegítimos teve aquele político, ou se até era homossexual e nunca saiu do armário.

Daniel Pina

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