Numa espiral descendente rumo às Autárquicas

autarquicas

Já disse várias vezes a mim mesmo que não volto a escrever sobre política. Embora todos tenhamos direito a ter a nossa opinião e a exprimi-la, de preferência nos locais próprios e com o bom senso de não ofender ninguém, já sei que, depois, não me livro de algumas sensibilidades ofendidas a azucrinarem-me a cabeça, a ligarem-me para o telemóvel, a despejarem comentários nas redes sociais ou no meu blogue de desabafos pessoais com tom mais rabugento, daí chamar-se «ocarneirorabugento».

Por isso, normalmente vejo o que acontece em meu redor, seja na política local, regional ou nacional, partilho as minhas opiniões com os meus botões e por aqui me fico. O problema é que, neste processo, o meu nível de rabugice vai aumentando, e aumentando, até chegar uma altura em que já não me basta desabafar para os botões. E, está mais que visto, agora é sempre a descambar até às eleições autárquicas de 2017.

O caso mais mediático destas últimas semanas no Algarve foi a retirada da confiança política do PSD de Castro Marim a Francisco Amaral, a mesma estrutura que o foi convidar para se candidatar à presidência da Câmara Municipal de Castro Marim, em 2013, quando o médico de profissão já se preparava para se retirar da política ativa. Não vou analisar o trabalho que tem sido feito por Francisco Amaral em Castro Marim, até porque já várias vezes manifestei a minha simpatia pessoal por ele e, portanto, a minha opinião seria suspeita.

No entanto, é por demais evidente os motivos que estão por detrás desta tomada de posição do PSD de Castro Marim e que acabam por deixar em maus lençóis o próprio presidente desta concelhia social-democrata, uma vez que o presidente do PSD/Algarve já manifestou que os autarcas eleitos pelo PSD que decidam recandidatar-se em 2017 contarão com o apoio do partido. Aliás, o mesmo já tinha sido afirmado há uns tempos por Pedro Passos Coelho, portanto, está para aqui armado um berbicacho cuja solução, para mim, só podia ser uma, mas duvido que venha a ser tomada por quem iniciou todo este problema.

Mas os problemas estendem-se a outros concelhos, porque a maioria dos presidentes de câmara eleitos, em 2013, no Algarve ainda não atingiram o limite de mandatos previsto na lei, ou seja, vão poder recandidatar-se em 2017 e, se fizeram um bom trabalho, o mais normal é que voltem a ser eleitos. Isso faz com que, do lado da oposição, os candidatos naturais não queiram dar o passo em frente para não serem derrotados, estendendo a passadeira vermelha a novos elementos, com pouca experiência política e que, em certas situações, estão mais preocupados em atacar tudo o que é feito pelos atuais autarcas do que em fazer oposição digna e construtiva.

Uma postura de crítica sem nexo que volta a ganhar destaque agora que os vários executivos municipais estão a preparar os seus orçamentos para 2017 e que, como é óbvio, têm que ser apresentados e devidamente explicados à oposição e aprovados em assembleia municipal, o que gera mais umas críticas porque se corta aqui ou acolá, porque se faz isto ou aquilo, porque não se aposta nisto ou naquilo. E as críticas vão continuar durante mais algumas semanas porque, entretanto, os presidentes de câmara vão fazer o balanço dos três anos de mandato e perspetivar o ano de 2017.

Depois, faz-se uma pequena pausa porque a oposição também quer passar o Natal com a família e divertir-se no réveillon com os amigos e, em janeiro, volta tudo ao mesmo, numa espiral descendente que só termina no dia das eleições autárquicas. Nessa altura, contados os votos, vamos verificar que a maior parte dos presidentes de câmara vão ser novamente eleitos, com menos ou mais vereadores a acompanhá-los no executivo municipal. Quanto àqueles que estiveram do outro lado da barricada, o que ganham após um ou dois anos a fazerem má oposição e a dar ainda pior imagem à classe política? Uma posição em lugar elegível nas listas para a Assembleia da República, em troca dos serviços prestados ao partido.

Daniel Pina

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