Vivem-se tempos estranhos na Democracia…

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Pois é! Contra todas as expetativas e prognósticos dos especialistas, Donald Trump vai ser mesmo o próximo inquilino da Casa Branca. Embora não seja um dos tais especialistas, seja em política ou relações internacionais, a verdade é que também fiquei preocupado.

Diziam que Hillary Clinton não tinha perfil para ser presidente dos Estados Unidos da América. Talvez. Mas Donald Trump não tem, de certeza, esse perfil, portanto, na minha opinião, havendo dois maus candidatos ao trono do poder, era uma simples questão de escolher o mal menor. Eu, por mim, preferia quatro anos com um presidente «assim-assim», sem sal e pimenta, que iria dar continuidade às políticas vigentes, do que ter um presidente «salve-se quem puder», um verdadeiro cowboy à moda antiga, um autêntico Lucky Luke, não mais rápido do que a sua própria sombra, mas mais rápido do que os seus assessores e conselheiros a disparar alarvidades de cada vez que abre a boca.

A maioria dos norte-americanos optou, porém, por eleger Donald Trump e, agora, temos dois malucos das ideias à frente das duas mais poderosas nações do mundo. É um género de regresso aos tempos da Guerra Fria, com EUA de um lado e Rússia do outro. Só nos resta rogar aos céus que Trump e Putin não se desentendam à séria nos próximos quatro anos, caso contrário, carregam nos botões mágicos que têm nos seus gabinetes e desatam misseis a voar pelos céus.

E a vitória de Donald Trump foi esmagadora, aliás, até dava dó quando visualizávamos graficamente os resultados das eleições no mapa dos Estados Unidos da América. Uma tareia forte e feia, de tal modo que Hillary Clinton levou algumas horas a digerir a derrota antes de falar à nação. Depois, vem-se a saber que, afinal de contas, Hillary até teve mais votos do que Trump e instalou-se em mim uma sensação de deja vu. Onde é que eu já vi isto há pouco tempo?

Num país que é um verdadeiro bastião da igualdade de direitos, que tanto lutou pela abolição da escravatura e pelo direito das mulheres ao voto, chegamos à conclusão que todos os americanos têm, supostamente, os mesmos direitos, mas que os seus votos não valem todos o mesmo. E assim chega à cadeira do poder um homem que não foi eleito pela maioria dos eleitores. Assim como António Costa chegou a Primeiro-Ministro de Portugal sem ter recebido a preferência da maioria dos portugueses.

Anda sempre tudo a lamentar-se que as pessoas não votam, que estão a desligar-se cada vez mais da política, que não acreditam nos partidos. Repetem-se os apelos para que todos tenhamos uma maior consciência política e participação ativa no nosso país que, depois, são contrariados pelos atos e pelas manobras de bastidores. A política é, sempre foi, e sempre será, um jogo de interesses que beneficia sempre os mais poderosos e prejudica, invariavelmente, os mais desprotegidos.

Nos Estados Unidos falaram mais forte os velhos interesses – que tinham estado de mãos atadas durante os mandatos de Barack Obama – para colocar Donald Trump na Casa Branca. Em Portugal, arranjou-se uma geringonça para colocar António Costa no Palácio de São Bento. Assim vai andando a Democracia no século XXI e eu pergunto-me para que vale, de facto, irmos votar, se a vontade da maioria já não conta para nada.

Daniel Pina

 

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