Doidinhos somos todos nós !!!

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Um estudo recente de José Caldas de Almeida, presidente do Lisbon Institute of Global Mental Health, afirma que um terço da população portuguesa sofre de perturbações mentais. Um terço, isso mesmo, qualquer coisa como três milhões e meio de portugueses. E o cidadão comum fica incrédulo, não acredita, como é possível tanta gente andar maluquinha das ideias? A este ritmo, não demora muito tempo para metade dos portugueses ter menos um parafuso na cabeça.

Lá está o tal problema da generalização resultante da falta de informação e da velocidade a que o ser humano tira conclusões erradas baseadas em dados insuficientes. Porque estamos habituados a associar a doença, ou perturbação mental, aos esquizofrénicos, aos maníaco-depressivos, àqueles indivíduos estanhos com múltiplas personalidades, conceitos frequentemente explorados pelas séries de televisão e filmes de cinema. Aliás, quando alguém comete um crime hediondo e diz que tinha umas vozes na cabeça a mandarem-no fizer isto ou aquilo, é porque vai querer alegar insanidade mental para escapar a uma pena de prisão mais dura.

Por isso, sempre que se fala em doença mental, imaginamos logo um tremendo bicho-papão, homens e mulheres com problemas sérios e que dificilmente serão solucionados, que não poderão dar um contributo válido para a sociedade, que devem é estar isolados para não serem um risco para a comunidade. Nem nos preocupamos em tentar saber mais sobre o assunto, metemos logo o rótulo de «maluquinho». Mas, quando um estudo diz que um terço dos portugueses sofre de algum tipo de doença mental, então já somos obrigados a pensar sobre o assunto, nem que seja para descobrirmos se fazermos parte desse terço ou não.

Num instante compreendemos que é tão fácil saber mais sobre as perturbações ou distúrbios mentais e que muitas doenças mentais têm causas conhecidas para as quais existem tratamentos eficazes e que permitem às pessoas levar uma vida relativamente normal. Isto se não forem barradas pelos preconceitos, pelos estigmas, pelo tal rótulo de «maluquinho» com quem ninguém quer trabalhar, ou que ninguém quer ter como vizinho. Mas, se pesquisarmos mais um pouco, verificamos que, de facto, entre as doenças mentais encontram-se patologias como a depressão e doença maníaco-depressiva, a esquizofrenia, as fobias e as perturbações obsessivas-compulsivas, mas também lá se encontram as perturbações de comportamento alimentar como a anorexia nervosa e a bulimia, e ninguém fica em pânico por ter um colega de trabalho ou um vizinho que sofra dessas perturbações mentais.

Convém lembrar também que, tal como em qualquer doença física, ninguém está imune a sofrer de uma doença mental. Isso mesmo comprova o tal estudo, que constatou um aumento de portugueses a sofrerem de perturbações mentais fruto da crise económica que o país viveu no início desta década. E quantos de nós, atafulhados em trabalho, volta e meia não disparamos algo do género “qualquer dia fico doido com isto” ou “isto é de uma pessoa ficar maluca”? Desabafos de ocasião, motivados por situações de stress, que largamos da boca para fora de maneira inocente, mas a verdade é que, em certos casos, essas situações de stress podem mesmo gerar doenças mentais.

Ora, vem toda esta conversa a propósito de uma peça de teatro inclusivo a que fui assistir esta sexta-feira à noite, a São Brás de Alportel, levada a cena pelo «Teatro do Sótão», da ASMAL – Associação de Saúde Mental do Algarve. Houve quem me dissesse, em tom de brincadeira, que ia ver teatro de maluquinhos, mas eu não vi nenhum maluquinho em cima do palco. Vi pessoas um pouco diferentes, que padecem de algum tipo de perturbação mental, mas que estão a ser acompanhadas por técnicos especializados e a ser devidamente medicadas e isso permite-lhes viver em comunidade e, naquela noite em particular, ser ator e atriz numa peça de teatro. Portanto, vamos lá tentar acabar com as generalizações abusivas e deixar de meter tudo no mesmo saco, caso contrário, temos que concluir que, afinal, doidinhos somos todos nós…

Daniel Pina

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Uma opinião sobre “Doidinhos somos todos nós !!!

  1. Com medicação i terapia podemos ter uma vida normal,eu faço charlas aquí nos institutos en España sobre los estigmas de las doenças mentales i somos sempre bem recebidos por los alunos
    Nossa mente és un fio muito fino que se pode romper en qualquer momento de tu vida con la muerte de un ser querido, una situação de estrés, los exámenes, un problema de amor qualquer coisa pode fazer que ese fio y rompa y então necesitamos a ajuda da pareja, amigos, de la empresa donde trabalhamos i de toda la sociedade para poder seguir como seres humanos tenemos sonhos i sentimentos somos igual que las personas que no tên enfermedades ,quando um se parte uma perna fica incapacitado durante um tempo o mesmo me pasa a mi…

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