Todos querem ser famosos, nem que seja pelos maus motivos…

 

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A par das eternas polémicas em torno do futebol e das arbitragens – tão corriqueiras que nem vou perder tempo a falar sobre elas – e das preocupações sobre o futuro do Novo Banco (eu incluo-me entre os preocupados porque é o banco onde tenho as minhas parcas economias), o tema quente do momento é mais um episódio de bullying numa escola portuguesa, desta feita em Almada.

A «quentura» do tema deve-se à existência de um vídeo que regista a violenta agressão de alguns jovens a um colega, caído indefeso no chão, enquanto uma verdadeira plateia assiste ao episódio. Assiste e até fica chateada quando a agressão termina. Como era de esperar, mais cedo ou mais tarde esse vídeo tinha que ir parar às redes sociais, aliás, é mesmo com esse objetivo que alguém se diverte a filmar com o telemóvel alguém a dar porrada a outra pessoa. E, por mais que venham psicólogos falar sobre o assunto, por mais que se envolvam as forças de segurança, os tribunais, os pais, os professores, seja lá quem for, o bullying dos tempos modernos veio para ficar.

As cenas de violência entre jovens, na escola ou fora do recinto escolar, podem parar durante algum tempo, ou podem ser menos agressivas, mas nunca vão desaparecer, enquanto existir um Facebook, um YouTube ou um Instagram, e enquanto existirem canais de televisão que passem esses vídeos de hora a hora. Neste cenário, qualquer jovem com um telemóvel mais sofisticado se torna num realizador de cinema de Hollywood, qualquer desacato mais ligeiro ganha rapidamente maiores proporções, qualquer jovem com mais raiva da vida se envolve em cenas de pancadaria e transforma-se, durante algum tempo, num mau da fita, num rufião, sem se preocupar com as consequências.

O que interessa é ser uma celebridade na zona, no bairro, na escola, porque vivemos num país onde só os maus ganham protagonismo, aparecem nas capas dos jornais, nos noticiários da televisão. Os bonzinhos, os amigos do seu amigo, os sossegadinhos que têm boas notas na escola, que têm ideias inovadoras, que criam empresas de sucesso, que se destacam pela positiva, estão normalmente arredados das luzes dos holofotes.

Na maioria dos casos, nem sequer estão preocupados com essas coisas do estrelato, mas também há aqueles que querem ser famosos, conhecidos, falados, seja por que motivo for. E já todos percebemos que o caminho mais fácil para isso é fazermos figuras tristes num qualquer programa de entretenimento da televisão, ou maltratarmos alguém, ou sermos trafulhas e corruptos.

Nos meus tempos de estudante no Liceu Camões, em Lisboa, também havia confusão entre colegas. Dávamos uns empurrões uns aos outros por causa de alguma miúda mais gira. Chamávamos «caixa de óculos» a quem usava óculos. Chamávamos gordo a quem tinha uns quilos a mais. Volta e meia alguém dava um murro em alguém, mas o assunto ficava por ali.

Entretanto, importámos o termo «bullying» dos Estados Unidos da América. Lembro-me, inclusive, de um jogo de computador chamado «Bully», em que interpretávamos o papel de um aluno de um colégio privado todo chique e onde o objetivo era precisamente dar tareia nos colegas, partir portas e janelas, fazer pinturas obscenas nas paredes, enfim, já estão a ver o enredo.

Depois, admiramo-nos por alguns jovens irem para as escolas com ideias estranhas, com vontade de repetir, no mundo real, aquilo que fizeram sentados no quarto das suas casas. Porque as consequências são mais ou menos as mesmas: os pais são chamados aos gabinetes dos diretores da escola para levar um raspanete, ficam algum tempo de castigo e depois regressa tudo à normalidade. É assim a justiça em Portugal…

Daniel Pina

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