Lá ver se é desta…

obras-125
O Ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques, veio ao Algarve esta quinta-feira para a pomposa cerimónia de reinício das obras de requalificação da Estrada Nacional 125, garantindo que as intervenções entre Vila do Bispo e Olhão vão estar concluídas até 30 de junho, ou seja, antes do pico do Verão. Cá para mim, não era necessário montar-se um ato tão solene para se retomar umas obras que, se calhar, até não começaram uns dias mais cedo por questões de agenda do ministro mas, como estamos em ano de eleições autárquicas, o Governo tem que mostrar que está muito preocupado com o que se passa nesta terra à beira-mar plantada.

O certo é que as obras estão no terreno, mas não na totalidade da EN 125, porque o troço entre Olhão e Vila Real de Santo António continua metido num imbróglio, depois de ter sido retirado pelo governo de Passos Coelho à anterior concessionária e ter passado para as mãos da Infraestruturas de Portugal. E, mesmo com as garantias do Ministro de que a situação será resolvida no curto prazo e de que os projetos e concursos estarão prontos ainda em 2017, a verdade é que, na melhor das estimativas, as obras só avançarão no próximo ano. Ou seja, vamos continuar a ter um Algarve a duas velocidades, um com estradas supostamente bonitas e arranjadinhas, o outro com buracos que nunca mais acabam e que não abonam em nada a imagem junto dos visitantes estrangeiros.

Diga-se de passagem que um Algarve a andar a velocidades diferentes não é nenhuma novidade, pois isso já acontecia quando se comparava o litoral e o interior, ou melhor, o que estava abaixo e acima da EN 125. O esquisito é verificar que essa diferença agora aconteça ao longo da orla costeira. Mas, independentemente destas questões, a grande preocupação é que as obras que agora voltaram ao terreno estejam terminadas até 30 de junho do corrente ano, para não se repetir a vergonha do que sucedeu no primeiro semestre de 2016.

Curiosamente, já no ano passado o governo tinha assegurado que tudo estaria finalizado antes do Verão, e bem vimos como essa promessa foi cumprida. As obras efetivamente pararam, ainda que com algum tempo de atraso em relação ao previsto, mas isso não quer dizer que tenham ficado terminadas. Ficaram a modos que em stand-by, para permitir um género de serviços mínimos, porque as queixas não paravam de chegar a Lisboa.

Está visto, então, que não podemos ficar muito descansados com promessas governamentais, até porque, por exemplo, faltam construir ou concluir 23 rotundas entre Lagos e Faro. Isso mesmo, voltaram os tempos das rotundas. Soma-se a isso os trabalhos de repavimentação, de reformulação de entroncamentos, de sinalização e equipamentos de segurança, de colocação de barreiras acústicas, de iluminação de rotundas, de reposição de serviços afetados e de drenagem. É, portanto, uma parafernália de intervenções de deixar qualquer pessoa à beira dum estado de nervos, sobretudo os residentes, que voltarão a conviver, no dia-a-dia, com intermináveis filas de trânsito, porque andar sempre a pagar portagens na Via do Infante arrasa com o orçamento de qualquer pessoa ou empresário.

E mesmo que tudo esteja finalizado até 30 de junho, ninguém se vai livrar da confusão nas férias da Páscoa, ou no Carnaval, ou nos fins-de-semana prolongados que por aí hão-de aparecer. O governo anda sempre a falar em combater a sazonalidade do Algarve, a criar programas e a gastar dinheiro a promover o Algarve fora da época alta mas, na hora da verdade, continua a demonstrar que a região só interessa verdadeiramente nos meses de julho e agosto. Enfim, que interessa apostar-se no walking & cycling, no turismo de natureza, no turismo de saúde, no turismo cultural, e outros, se os turistas chegam ao Algarve e depois isto está tudo em obras?

Daniel Pina

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2 opiniões sobre “Lá ver se é desta…

  1. Areia para os olhos, a acreditar no que li, isto é tudo populismo barato. Gastos desnecessários com adiamentos por falta de rigor e qualidade de gestão. Falta de cumprimento de calendários só acontece em local corrupto e com falta de gestão seria.
    Como e que uma obra a superfície falha o calendário? Não tem explicação, ou tem atirando-se areia paramos olhos dos contribuintes. Porque se o dinheiro fosse de quem decide é não mede custos das decisões erradas nem é julgado pelas mesmas, as coisas não seriam assim.
    Palhaços ou incompetentes

  2. Nao vou falar da 125 pois isso ja cansa de promessas.
    O que vou aqui falar e da entrada de Sagres. O troco entre o sitio do Poco e a rotunda das 4 estradas e uma verdadeira vergonha. Passeios nao existem e nem as bermas tratadas.Andar nestas bermas a pe e’ verdadeira odisseia , mesmo risco de vida pois os carros nao respeitam velocidades nem passadeiras. Realmente aqui vive-se noutro mundo pois se em qualquer lugar ha a preocupacao de adornar a entrada com Boas Vindas aqui e o que se ve. A Camara Municipal se nao e a responsavel pela obra como dizem e Ela a quem compete trata do assunto. Fez-se os arruamentos com paragens para autocarros que nao existem , e a principal , a entrada, Ai esta a vergonha do concelho para ja nao falar em espacos verdes.! …..

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