O pior da humanidade… e do jornalismo também!

Vivem-se, de facto, tempos hediondos. Mesmo sem estarmos numa guerra mundial, cometem-se atrocidades de bradar aos céus. Todos os dias morrem pessoas em conflitos armados, guerras civis, perseguições políticas, porque são desta ou daquela cor, deste ou daquele credo religioso, desta ou daquela etnia. Ditadores à moda antiga são cada vez menos, felizmente, mas foram substituídos pelos ditadores dos tempos modernos, aqueles que chegaram ao poder não se sabe muito bem como, graças a manobras de bastidores, a campanhas de marketing que enganam os eleitores, a subornos pagos a dirigentes corruptos.

Depois de estarem no poder, deixam ver a sua verdadeira face, já estão no poleiro e é uma carga de trabalho para os tirar de lá. Fazem o que querem, moldam as leis à sua vontade, ou quebram-nas sem preocupações de maior, porque servem os interesses da máquina instalada e a máquina quer ver os seus interesses defendidos durante os quatro ou cinco anos que duram mais aqueles mandatos.

Depois, temos o terrorismo, que sempre existiu, mas que agora se adaptou ao século XXI das novas tecnologias, dos meios de comunicação em massa, graças a uma nova geração de malfeitores, de fanáticos, que cresceram a ver televisão e a navegar na internet. Agora, o importante para os terroristas não é combater os «invasores» propriamente ditos, porque sabem que não têm meios humanos, bélicos e financeiros para lhes fazer frente no campo de batalha. O que interessa é matar seres humanos inocentes, que andam na sua pacata vida, do trabalho para casa e de casa para o trabalho, a passear, a fazer compras, nas grandes capitais europeias ou em cidades dos Estados Unidos da América, locais que estão constantemente a ser filmados por sistemas de vigilância. Isto significa que as imagens dos atentados, do sangue, dos mortes e feridos, chegam num ápice à comunicação social e é isso que interessa aos grupos terroristas do século XXI.

E assim chegamos à comunicação social, nomeadamente às televisões e jornais, que estendem o tapete vermelho a estes terroristas, a estes fanáticos, a estes seres humanos sem coração nem alma, que lhes dão tempo de antena, que colocam nos seus sítios de internet os vídeos das chacinas. Mas também os vídeos dos crimes cometidos, no dia-a-dia, pelos cidadãos anónimos, das agressões nas escolas, do bullying, das cenas de violência doméstica, das violações, dos assassinatos.

No século XXI, e com o boom do jornalismo online, a sobrevivência dos meios de comunicação não depende do número de pessoas que compra jornais e revistas, ou que assiste a este ou aquele programa. Muito menos interessa a qualidade do jornalismo que se pratica. Apenas interessa o número de visualizações que as páginas têm na internet e se, para isso, for preciso publicar um vídeo de uma jovem a ser violada num autocarro, que seja. Não interessa respeitar o código deontológico. Não interessam os valores morais e cívicos que nos deviam guiar a todos nós.

E quando o jornalismo abre as portas a estes malfeitores, incentivam-se as pessoas a cometerem crimes banais sem qualquer necessidade ou pensamento nas consequências. O importante é gravar tudo com o telemóvel e enviar rapidamente para um jornal ou canal de televisão ou colocar diretamente no You Tube ou no Facebook. Não vale a pena criticarmos a postura desses jornalistas, chefes de redação, editores, porque eles obedecem às ordens que chegam de cima, dos patrões, dos proprietários, dos acionistas.

Só interessam os clicks nas páginas do site, as visualizações das fotos e vídeos. Depois, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social condena a atuação e passa uma multa, os órgãos de comunicação social pagam a multa e continuam a fazer mais do mesmo. Porque os proveitos de publicidades que foram gerados por aquele vídeo ou fotografia superam, e muito, o valor das multas.

A história só muda se as penalizações forem maiores, se o crime deixar de compensar. Ora, se cometemos uma infração na estrada e ficamos sem carta de condução; se cometemos um crime e vamos para a cadeia; por que não retirar, definitivamente ou durante um período de tempo, a licença de atividade a esses jornais, revistas e canais de televisão, quando cometem essas atrocidades que em nada abonam a profissão do jornalismo, e muito menos prestam um serviço público? Assim, se calhar, já pensavam duas vezes antes de publicar tudo e mais alguma coisa, na luta incessante por terem mais visualizações do que a concorrência.

Daniel Pina

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