O fim do mundo ao virar da esquina


O Armageddon, ou fim do mundo, é um dos filões mais explorados por Hollywood e todos os anos saem novos filmes para o mercado, uns grandes sucessos de bilheteira, outros vão diretamente para o circuito doméstico, por não terem nomes sonantes no elenco para se tornarem os tais blockbusters. A história é sempre a mesma: o mundo vai acabar, umas vezes por causa de meteoritos que vão chocar contra o Planeta Terra, outras vezes porque a era glaciar regressa de um momento para o outro, noutras vezes sucede o inverso, as temperaturas sobem de forma abruta e a terra é engolida pela água. Às vezes até nem se sabe muito bem por que razão o mundo vai acabar, é uma simples profecia que dita que, naquele ano, a vida vai desaparecer da superfície terrestre.

Como filmes que são, as pessoas batem palmas e dizem que foram muito bons, ou assobiam e reclamam que foram uma porcaria, mas poucas serão aquelas que pensam seriamente sobre essa coisa do fim do mundo. Provavelmente porque os próprios argumentistas não se preocuparam muito em aprofundar essa mensagem no filme, o que interessa é ter atores musculados e charmosos e atrizes bonitas e de seios avantajados, que andam metade do filme a correr, todos transpirados, com as curvas a reluzirem e, no fim, lá salvam o mundo e fica toda a gente feliz.

Outro problema nisto tudo é que o dito armageddon sempre foi «pintado» como uma coisa muito longínqua ou improvável. Talvez o Sol expluda daqui a não sei quantos milhões de anos. Talvez um meteorito choque contra a Terra não se sabe muito bem quando. Talvez os recursos naturais se esgotem finalmente daqui a uns milhares de anos. Talvez isto ou aquilo. E, como o grosso da população não encara este assunto com a seriedade que ele realmente merece, a tarefa dos governantes que, de facto, estão preocupados com o fim do mundo, torna-se bastante mais complicada.

Para quê acabar com os combustíveis fósseis que fazem mal ao ambiente? Para quê tanto stress com o efeito de estufa? Para quê poupar água e todos os nossos recursos naturais? Para quê esse blábláblá sobre as alterações climáticas? Para quê um Protocolo de Kyoto ou um Acordo de Paris? A malta preocupa-se é em pagar as contas ao fim do mês, comprar uma televisão inteligente para a sala de estar, andar vestida com as tendências da moda, ter um carro catita e os telemóveis topo de gama e o resto é conversa.

Foi preciso «aterrar» um maluco na Casa Branca para, de repente, todas as pessoas começarem a pensar, mesmo a sério, no que anda a acontecer com o nosso mundo. Realmente estranhamos que as estações do ano andam todas trocadas. Que chove no Verão e está um calor abrasador no Inverno. Que há mais tornados e tremores de terra. Que se tornaram um hábito as chuvadas intensas que levam a inundações constantes. Que as praias vão ficando mais curtas de ano para ano.

Estranhamos, mas não fazemos nada para atenuar esses fenómenos. Nem ligamos muito às conversas dos governantes, do poder central ou local, que falam da necessidade de nos adaptarmos às alterações climáticas. A coisa continua a parecer muito impalpável, irrealista, longínqua, de filme de cinema. Por isso, quando o Ministro do Ambiente disse, há alguns dias, que, “se não fizermos nada no sentido da redução significativa dos gases que provocam efeito de estufa, é já em 2036 que o armageddon pode estar à nossa frente” – por causa da anunciada saída dos Estados Unidos da América do Acordo de Paris – os sinais de alerta dispararam um pouco por todo o lado.

De um momento para o outro, o tal fim do mundo que, supostamente, só aconteceria daqui a uns milhares ou milhões de anos, acelerou para a minha própria geração. Já não serão os meus tetratetratetratetratetra netos que vão sofrer, mas eu próprio, as minhas filhas e, quiçá, os meus netos. Não sei se o «2036» é uma data realista ou não, mas o importante é que as pessoas compreendam, de uma vez por todas, que o armageddon já não é uma coisa dos filmes, mas um problema real que nos pode afetar bem mais cedo do que pensávamos.

Daniel Pina

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