Nós, os «coitadinhos» da imprensa regional …

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Faz-me confusão aquelas pessoas que, em plena era da comunicação digital, continuam a separar a imprensa nacional da imprensa regional, ao invés de distinguirem apenas entre imprensa em papel e imprensa online. Isto porque os jornais e revistas que são impressos em papel podem ter, efetivamente, uma distribuição nacional, regional ou local, ao passo que os jornais ou revistas online não estão circunscritos à região onde têm a sua sede social ou redação, pois a internet não tem fronteiras geográficas.

Veja-se o caso da revista semanal do Algarve Informativo, cujo exemplo cito, não por uma questão de vaidade, mas por ser aquele do qual possuo dados concretos em termos de leitores e de onde esses leitores são. No dia 26 de agosto fica online o número 122 desta publicação digital que, de facto, tem sede em Almancil mas que, de acordo com a imagem em baixo, é lida, não só de norte a sul de Portugal, mas em toda a Europa Ocidental, no Brasil, na América do Norte, na Austrália e em Angola e Moçambique. Portanto, dizer que o Algarve Informativo é uma publicação regional é, no mínimo, ridículo.

É verdade que os seus conteúdos assentam essencialmente no que acontece no Algarve, mas as suas peças jornalísticas são lidas noutros continentes e acredito que o mesmo suceda com outros jornais online algarvios. Infelizmente, as grandes empresas de âmbito nacional continuam a olhar apenas para o endereço fiscal dos órgãos de comunicação social, de modo que, para se fazer publicidade, só interessam os jornais e revistas sedeados em Lisboa ou no Porto. Todos os outros não são pertinentes para os seus planos de marketing e comunicação, contudo, quando é para fazer entrevistas aos responsáveis ou reportagens gratuitas sobre os eventos que organizam, de repente já somos «importantíssimos», às vezes até «fundamentais».

O mesmo acontece com as ditas agências de comunicação e assessoria, para quem apenas os jornalistas da chamada «imprensa nacional» são merecedores de atenção. Veja-se o sucedido neste belo 25 de agosto, no lançamento da primeira pedra de um mega empreendimento turístico que está a nascer no interior do Algarve. A «imprensa nacional» chegou num autocarro especial e teve acesso imediato ao local onde teria lugar a cerimónia. À «imprensa regional» foi vedado esse acesso, os jornalistas e fotógrafos tiveram que deixar os carros estacionados num descampado de terra batida, com lama e pó por todo o lado, e tiveram que ficar à espera, debaixo de um sol escaldante, por um segundo autocarro. Pior do que isso, só depois de muito reclamarem é que conseguiram meter na cabeça dos elementos da organização que estavam a fazer a receção aos convidados que tínhamos que chegar ao local antes das entidades oficiais.

Assim se continuam a tratar os profissionais da dita «imprensa regional» do Algarve que, na hora da verdade, já praticamente é toda imprensa online e, por isso, há muito que deixou de ser «imprensa regional». Mas as cabecinhas pensadoras que enchem os gabinetes de marketing e assessorias de imprensa de Lisboa ainda não perceberam que o mundo mudou muito na última década…

Daniel Pina

 

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